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Retrospectiva 2025: política foi marcada por embates e preparação para a próxima eleição

Mudanças partidárias, conflitos entre Poderes e avanço do calendário eleitoral definiram a política em Pernambuco e no cenário nacional

Por Rodrigo Fernandes, Pedro Beija Publicado em 29/12/2025 às 18:40

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O ano de 2025 na política foi marcado por embates, reorganização partidária e movimentos antecipados de olho nas eleições de 2026, no cenário nacional e em Pernambuco.

Entre a consolidação do PSD sob o comando da governadora Raquel Lyra, o avanço de João Campos no cenário nacional e conflitos entre os Poderes, a política local viveu um período de tensão, articulação e preparação para a próxima disputa eleitoral.

Já em Brasília, o governo Lula enfrentou tensões com o Congresso e viveu uma reação no segundo semestre, enquanto o bolsonarismo viveu os desdobramentos judiciais que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Raquel Lyra no PSD

A governadora Raquel Lyra começou o ano trocando de partido, migrando do PSDB, onde passava por desgaste interno junto ao então correligionário, deputado Álvaro Porto, para o PSD, no mês de março.

A migração representou uma guinada da governadora no campo político, uma vez que assumiu a presidência estadual da legenda e passou a lidar diretamente com filiações e representações nos municípios.

O evento de março contou com a presença do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que passou a vir com frequência a Pernambuco para filiar mais prefeitos ao longo do ano. Ao todo, o PSD fecha 2025 com 75 prefeitos, sendo a maior sigla do estado.

A reestruturação do PSDB e Álvaro Porto

Com a saída de Raquel, o deputado Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, ganhou protagonismo dentro do PSDB e assumiu a presidência estadual da legenda.

Após o partido tucano perder todos os prefeitos depois da saída da governadora, Álvaro trabalha para reestruturar a legenda em Pernambuco e tentar candidaturas estaduais e federais, apoiando o grupo do prefeito João Campos.

Brigas entre governo e Alepe

Após o rompimento público entre Raquel Lyra e Álvaro Porto, os embates entre o Executivo e o Legislativo ganharam contornos ainda mais intensos em 2025. O ano começou com a disputa pelas emendas parlamentares atrasadas de 2024. Em meio a isso, o governo vacilou na articulação e perdeu a presidência das três principais comissões, o que prejudicou ainda mais o andamento das pautas governistas na Casa.

Mas o símbolo dessa confusão foram os empréstimos solicitados pelo governo para obras estruturantes no estado, sendo um de R$ 1,5 bilhão e outro de R$ 1,7 bilhão. Os projetos passaram meses travados até que a oposição conseguisse votar pautas de interesse próprio.

No meio de toda a confusão, a oposição articulou a instalação de uma CPI contra o governo estadual sobre um suposto contrato irregular de publicidade. Depois de problemas burocráticos e judicialização, a investigação foi suspensa e a denúncia não se comprovou.

No fim do ano, mais problemas: os deputados pediram aumento no valor das emendas parlamentares e só liberaram a votação da Lei Orçamentária de 2026 depois de uma negociação que durou semanas, o que quase fez o governo iniciar 2026 com o orçamento bloqueado.

Mudanças nos partidos

Outros partidos políticos também passaram por mudanças em 2025. O PT teve eleições internas em todo o país e, em Pernambuco, foi preciso muita articulação até que Carlos Veras fosse eleito presidente estadual do partido.

No MDB, a disputa entre Raul Henry e Jarbas Filho, antes parceiros por causa da figura de Jarbas Vasconceos, resultou numa troca de farpas pública e constrangedora, que resultou em judicialização após a vitória de Raul.

No PRD, a troca de presidente simbolizou a mudança de lado: a sigla deixou o grupo da governadora Raquel Lyra e passou a integrar o grupo do prefeito João Campos.

João Campos presidente nacional do PSB

Em junho, o prefeito do Recife, João Campos, assumiu a presidência nacional do PSB, ganhando maior projeção nacional.

Ao mesmo tempo, segue em busca de ampliar a presença no interior do estado, firmando alianças com prefeitos de Pernambuco para conquistar mais votos em 2026, ainda que siga sem confirmar candidatura nas eleições do próximo ano.

Visitas de Lula a Pernambuco

Lula veio a Pernambuco diversas vezes em 2025 para anunciar obras federais e, em muitas delas, a presença dele gerou burburinho político. Em agosto, a governadora Raquel Lyra faltou a agendas em Goiana e no Recife, abrindo espaço para João Campos se consolidar como principal aliado do petista no estado.

Em dezembro, a governadora deu o troco durante ato na refinaria. Fez um discurso potente na presença do presidente e mostrou que também tem boa relação com o petista, apesar de o PSD seguir insistindo que terá candidato próprio à Presidência em 2026.

Prisão de Gilson Machado

A investigação da trama golpista que corre no Supremo Tribunal Federal teve repercussão direta para o ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro, o pernambucano Gilson Machado, acusado de tentar tirar um passaporte no consulado de Portugal, no Recife, para ajudar o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, a fugir.

Gilson foi preso no mês de junho, mas passou menos de 24 horas no Cotel. Ele segue cumprindo medidas cautelares e não pode deixar a capital pernambucana.

Pernambucanos fora da Sudene e do BNB

Dois líderes pernambucanos perderam postos importantes no governo federal, por motivos distintos. Danilo Cabral deixou a Sudene após uma articulação do Ceará que envolveu o repasse de recursos para a Ferrovia Transnordestina.

O ex-governador Paulo Câmara, por sua vez, deixou a presidência do Banco do Nordeste em razão do limite do prazo de permanência no cargo.

Preparação para Eleições de 2026

O ano de 2025 foi de preparação de terreno para as eleições de 2026. Raquel Lyra intensificou a entrega de obras e a consolidação na Região Metropolitana do Recife para buscar a reeleição, enquanto João Campos ampliou movimentos no interior do estado para ganhar capilaridade.

Para o Senado, vários nomes se colocaram na disputa, ainda que as negociações devam se consolidar apenas em 2026, em diferentes configurações partidárias, especialmente em relação aos palanques de apoio a João e Raquel, que também dependerão das decisões nacionais.

Governo Lula em 2025: da crise à reação sob pressão institucional

No plano nacional, 2025 foi um ano de reviravoltas para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O primeiro semestre foi marcado pelo pior momento de avaliação do terceiro mandato e por uma relação especialmente tensionada com o Congresso Nacional, que ampliou seu protagonismo político e impôs derrotas relevantes ao Executivo.

Até junho, o Planalto enfrentava dificuldades para aprovar sua agenda e via crescer a pressão parlamentar às vésperas do recesso. A inflexão ocorreu a partir de julho. A reação do governo brasileiro ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recolocou Lula em posição de protagonismo internacional.

O episódio, somado à queda no custo dos alimentos e a medidas de apelo social - como a aprovação da isenção do Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5 mil -, contribuiu para a recuperação da popularidade presidencial nos meses seguintes e ajudou a reequilibrar, ainda que parcialmente, a relação com o Congresso.

Julgamento da trama golpista e prisão de Jair Bolsonaro

Se a pauta econômica e institucional dominou o início do ano, o segundo semestre foi fortemente marcado pelo avanço do julgamento da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O Supremo Tribunal Federal aprofundou as ações penais contra os envolvidos na trama golpista, incluindo militares de alta patente, ex-ministros e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No decorrer do ano, o STF recebeu denúncias, colheu depoimentos, analisou provas e proferiu decisões que ampliaram o alcance das investigações sobre a organização, o financiamento e a execução das ações que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. O julgamento resultou na condenação de Jair Bolsonaro, com a imposição de medidas cautelares que evoluíram para a prisão do ex-presidente.

Paralelamente, o avanço das ações no STF teve reflexos no Congresso Nacional, onde parlamentares aliados a Bolsonaro intensificaram a defesa de propostas como o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. As tentativas de avanço do tema, no entanto, não obtiveram consenso entre as lideranças das duas Casas ao longo de 2025.

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