Perícia da PF confirma que Bolsonaro precisa passar por cirurgia de hérnia
Laudo divulgado nesta sexta-feira aponta necessidade de procedimento "o mais breve possível" e confirma quadro de soluços e insônia do ex-presidente
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A perícia médica realizada pela Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisa ser submetido a uma cirurgia para tratar uma hérnia inguinal bilateral. O laudo foi enviado nesta sexta-feira (19) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado a avaliação do estado de saúde do ex-chefe do Executivo.
De acordo com os peritos da PF, o procedimento cirúrgico deve ser realizado “o mais breve possível”, diante da refratariedade aos tratamentos já adotados, da piora no sono e na alimentação e do risco de complicações decorrentes do aumento da pressão intra-abdominal provocado pelo quadro herniário.
O documento também confirma que Bolsonaro apresenta quadro persistente de soluços e insônia. Em relação aos soluços, os peritos consideraram “tecnicamente pertinente” a realização de um bloqueio do nervo frênico como alternativa terapêutica.
A perícia foi realizada após a defesa de Bolsonaro solicitar, no último dia 9 de dezembro, autorização para que o ex-presidente fosse internado no hospital DF Star, em Brasília, com o objetivo de realizar os procedimentos médicos indicados por seus médicos particulares. Caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes decidir se autoriza a internação para a cirurgia.
O exame médico ocorreu na quarta-feira (17), na sede do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, por determinação do STF.
Jair Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena definitiva de 27 anos e três meses de prisão, após condenação na ação penal que apurou a chamada trama golpista.
Histórico clínico
Durante a avaliação, Bolsonaro relatou que o quadro de soluços teve início em setembro de 2018, após a primeira cirurgia realizada em decorrência do atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial. Segundo o relato aos peritos, o sintoma durou cerca de um mês naquela ocasião, com melhora posterior, mas voltou a se manifestar após cada uma das cirurgias subsequentes — ao todo, sete procedimentos.
De acordo com o laudo, desde a última cirurgia os soluços não cessaram completamente. “Nos últimos sete meses, o periciado afirma que chegou a ficar de um a dois dias sem soluçar, mas que o quadro retorna e perdura por dias, trazendo prejuízo na alimentação e no sono”, registraram os peritos.