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"É melhor liberar quem quiser seguir outro caminho", diz especialista sobre decisão de Lula de liberar ministros para eleições

Segundo a cientista política Priscila Lapa, decisões do presidente revelam antecipação do jogo eleitoral e tentativa de reorganizar base aliada

Por JC Publicado em 18/12/2025 às 16:34

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu liberar ministros para disputarem as eleições de 2026 e sinalizou que só permanecerão no governo aqueles que estiverem em partidos efetivamente alinhados ao Planalto. A movimentação, anunciada durante reunião ministerial, foi analisada pela cientista política Priscila Lapa em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, como um gesto estratégico diante do cenário pré-eleitoral e das dificuldades de articulação com o Congresso.

Para Priscila, o momento político é marcado por idas e vindas intensas, típicas de um período pré-eleitoral antecipado. “A gente tem visto uma aceleração muito grande das movimentações políticas. Parece que 2025 já começou com a intensidade de um ano eleitoral”, avaliou. Segundo ela, decisões como a liberação antecipada dos ministros rompem com práticas tradicionais, que normalmente só ocorrem no prazo legal de desincompatibilização, em abril.

A cientista política destaca que a medida também revela um reconhecimento do próprio presidente sobre a fragilidade da defesa política do governo. “Esse terceiro governo Lula nunca conseguiu ter um ministério que vestisse a camisa de forma mais aguerrida. Houve um certo esmorecimento na defesa do governo, tanto no Congresso quanto no debate público”, afirmou.

Fragilidade na base do governo?

Na avaliação de Priscila Lapa, ao liberar ministros que pretendem disputar eleições, Lula abre espaço para uma reorganização do primeiro escalão com nomes mais alinhados e dispostos a atuar como porta-vozes do governo. “É melhor liberar quem quiser seguir outro caminho e ocupar esses espaços com aliados mais firmes, que defendam o governo com mais clareza”, explicou.

Outro ponto central da análise é o contexto da oposição. Para a cientista política, a antecipação do nome de Flávio Bolsonaro como possível candidato à Presidência desorganizou alianças na direita e no centrão. “Essa escolha precipitada desarrumou um conjunto de alianças que vinha se formando. Hoje, há partidos falando até em neutralidade, porque não enxergam uma liderança clara capaz de unificar a direita”, disse.

Segundo Priscila, Lula percebeu essa divisão como uma janela de oportunidade. “O presidente acordou para o momento político e resolveu jogar o jogo. Ele sabe que liderar pesquisas agora não é suficiente. Precisa reconstruir alicerces políticos mais sólidos para viabilizar seu projeto de reeleição”, avaliou.

Ela acrescenta que o centrão, historicamente pragmático, observa o cenário antes de se comprometer. “O centrão espera para ver quem tem mais chance de ganhar. Lula precisa fazer gestos claros para atrair esse grupo, senão terá muita dificuldade em 2026”, completou.

Reviravoltas na demissão de Celso Sabino expõem crise de articulação com o União Brasil

Ainda nesta edição do Passando a Limpo, a bancada formada pelos jornalistas Igor Maciel, Terezinha Nunes, Rodrigo Fernandes, Romoaldo de Souza e Ricardo Rodrigues debateu a confusão em torno da demissão do ministro do Turismo, Celso Sabino. Priscila Lapa destacou o caso como um exemplo da instabilidade na relação entre o governo Lula e o União Brasil. Sabino, que havia deixado o partido para permanecer no ministério após o desembarque da legenda do governo, acabou sendo demitido meses depois, reacendendo dúvidas sobre o real posicionamento da sigla.

“O que se pergunta é: afinal, o União Brasil está no governo ou está fora? Num piscar de olhos, um relacionamento que parecia encerrado passou a dar sinais de reversão”, observou a cientista política. Segundo ela, as negociações para a indicação de um novo nome ligado ao partido revelam múltiplas camadas, que envolvem desde a relação do Planalto com o presidente da Câmara, Hugo Motta, até disputas eleitorais na Paraíba.

Para Priscila, o episódio evidencia a dificuldade do governo em consolidar uma base estável. “Essas idas e vindas mostram um cenário de muita incerteza, em que partidos testam posições, recuam e avançam conforme o desenho eleitoral de 2026 começa a ganhar forma”, concluiu.

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