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Flávio diz que retirada de Moraes da Magnitsky é 'gesto gigantesco de Trump pela anistia'

Senador e pré-candidato à presidência da República foi em caminho contrário aos demais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e elogiou Trump

Por Estadão Conteúdo Publicado em 12/12/2025 às 20:32

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) considera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "fez um gesto gigantesco pela anistia" ao retirar o nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. O parlamentar disse ainda "não ter dúvida" que o governo americano vai recuar totalmente do tarifaço com uma eventual aprovação da anistia no Senado.

As declarações ocorreram em publicação no perfil do X do senador. No texto, Flávio não deixou claro se a anistia a que se refere é o Projeto de Lei da Dosimetria, recém-aprovado na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado.

A proposta que chegou a ser classificada como uma "anistia light" pode levar à redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro na ação penal da tentativa do golpe e ainda abrir caminho para que o ex-chefe do Executivo tenha uma progressão mais rápida no regime de cumprimento de pena.

Na publicação, Flávio disse repetir as palavras de Trump sobre a retirada de Moraes da lista da Magnitsky: "'Primeiro passo' em direção ao fim dos excessos praticados por Alexandre de Moraes e o 'início de um caminho' para que a relação Brasil/EUA volte à normalidade democrática".

"A bola está com a gente", completou o senador depois de aventar uma possível votação do que chamou de "anistia" na próxima semana na Casa Alta do Congresso.

Aliados do ex-presidente reclamaram da postura dos EUA sobre Lei Magnitsky nas redes sociais

Após o governo Donald Trump retirar o ministro Alexandre de Moraes da lista dos sancionados pela Lei Magnitsky, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se voltaram contra o presidente norte-americano. A decisão dos EUA também incluiu a remoção da advogada Viviane Barci, esposa do magistrado, e do Instituo Lex, empresa mantida pelo casal. Nas rede sociais, deputados e influenciadores ligados a Bolsonaro reagiram com críticas a Trump.

"Quem nasce para Trump jamais será Reagan", disse o jornalista Rodrigo Constantino na rede social X.

Na mesma plataforma, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também criticou e disse que Trump só queria negociar.

"A lei Magnitsky foi banalizada por Trump. Não existe 'ex-violador de direitos humanos'. Infelizmente colocamos esperanças em alguém que só queria negociar. Uma grande decepção com o Presidente americano e uma enorme lição para nós: não terceirizemos nossa responsabilidade", reclamou.

O senador Jorge Seif Junior (PL-SC) seguiu linha semelhante.

"Não existe amizade nem diplomacia entre países. Existem interesses econômicos. As sanções começaram a cair quando pesquisas mostraram queda na popularidade de Trump e itens básicos da mesa do americano (café, suco de laranja e carne) dispararam de preço. Agora, minerais estratégicos, terras raras e pragmatismo geopolítico falam mais alto", disse ele, completando:

"Ou Moraes virou um pacifista e guerreiro dos direitos humanos? Será que o Brasil virou exemplo de democracia pujante? Ou houve perdão dos presos políticos de 08/01?" Moral da história: o Brasil só se resolve por dentro, com mais senadores firmes e um novo presidente".

O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) foi outro a reclamar. "O presente de Natal do governo dos EUA para o Brasil foi devolver o país à força política mais bem organizada daqui: corruptos e corruptores", acusou.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) foi em linha diferente, agradecendo ao governo americano. "Obrigado @realDonaldTrump a guerra pra tirar a SUPREMA ESQUERDA do poder no Brasil será nossa, dos brasileiros, mas obrigado por toda ajuda!", disse.

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