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Lula diz que confrontos entre países desviam recursos do combate às mudanças climáticas

Lula também afirmou que a COP30 será o momento da verdade. "Não podemos abandonar o objetivo do acordo de Paris de aquecimento de 1,5 grau Celsius

Por Estadão Conteúdo Publicado em 06/11/2025 às 15:22 | Atualizado em 06/11/2025 às 15:27

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (6) na abertura da cúpula de líderes, que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) apontou que os confrontos entre países atrasam a busca de soluções à crise climática. "Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam recursos que deveriam ir para o combate ao aquecimento global", disse. "Precisamos superar o descasamento entre o contexto geopolítico e a urgência climática", acrescentou.

Lula também afirmou que a COP30 será o momento da verdade. "Não podemos abandonar o objetivo do acordo de Paris de aquecimento de 1,5 grau Celsius", disse. "Nosso objetivo com essa cúpula de líderes em Belém é enfrentar as divergências", afirmou.

O presidente afirmou que a COP30 é o "ponto culminante" de um caminho pavimentado nos encontros do G20 e do Brics no Brasil.

"Essa cúpula de líderes é uma inovação que trazemos para o universo das COPs. E nós podemos e devemos discutir tudo para além dos muros da convenção. Nossas palavras, vão servir de bússola para os próximos dias", afirmou Lula.

O presidente afirmou que é um marco realizar a COP na Amazônia. Disse que, na Amazônia, vivem povos atravessados pelo falso dilema entre prosperidade e preservação da natureza. "É justo que amazônidas indaguem o que está sendo feito para evitar o colapso climático. E interesses egoístas preponderam sobre o bem comum", disse.

JUSTIÇA CLIMÁTICA E MULTILATERALISMO

O discurso, lido pelo presidente na maior parte do tempo, trouxe o tema da justiça climática. Ele disse que será impossível conter a mudança climática sem superar as desigualdades. "A Amazônia para o mundo é como uma bíblia, todos conhecem, mas interpretam da sua forma", afirmou.

Ele voltou a falar que o ano de 2025 é um marco para o multilateralismo. "Festejamos os 80 anos das Nações Unidas e os dez anos do Acordo de Paris. Passada uma década, ele se tornou o maior espelho das necessidades e das limitações do multilateralismo".

"Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapa do caminho para de forma planejada e justa reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos", disse Lula.

"Forças extremistas"

O presidente reforçou o sobre o senso de urgência para as medidas mitigadoras das mudanças no clima, ao comentar sobre as "dramáticas perdas humanas" com o aquecimento global. Ainda neste tema, ele também classificou que "forças extremistas fabricam inverdades" para obter ganhos eleitorais.

A fala remete ao constante discurso da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, sobre "negacionismo climático". Sem citar nomes, o presidente brasileiro mencionou ainda que "rivalidades estratégicas e conflitos armados" desviam a atenção e acabam concentrando recursos financeiros que, de outro modo, poderiam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global.

O relatório de emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que o planeta está sendo direcionado para o patamar de 2,5º mais quente, até 2100. Neste cenário de alerta, mais de 250 mil pessoas poderão morrer a cada ano, de acordo com o chamado "Mapa do Caminho Baku-Belém". O PIB global pode encolher até 30%. "A COP30 será a COP da verdade", declarou Lula repetindo lema que a presidência brasileira tenta emplacar.

O cerne da discussão é o financiamento. No ano passado, na COP em Baku, no Azerbaijão, foi estabelecido que os países desenvolvidos devem "assumir a liderança" no fornecimento de, pelo menos, US$ 300 bilhões anuais até 2035, muito aquém do que é considerado necessário. O Brasil se comprometeu a apresentar, junto ao Azerbaijão, um roteiro de como alcançar a meta de US$ 1,3 trilhão.

O contexto geopolítico refratário ao multilateralismo, simbolizado com a futura saída do Estados Unidos do Acordo de Paris no início de 2026, representa um dos principais empecilhos para o compromisso de angariar recursos trilionários para a seara climática.
 
 

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