PT fala em renovação e primeiro candidato a presidente no Recife é um cientista político de 36 anos
Atual presidente municipal, Cirilo Mota, que está no cargo há mais de 5 anos, é da tendência Democracia Socialista, que integra apoio a João Campos

O PT, que vem experimentando nos últimos anos uma divisão interna no Recife que levou a legenda a entrar na base do prefeito João Campos em 2023 quando sua principal liderança na capital, o deputado estadual João Paulo Silva, prefeito por dois mandatos, é hoje uma das principais vozes de oposição ao mesmo João Campos, está se preparando para enfrentar as eleições para escolha dos novos dirigentes do partido no Recife, apostando na renovação de pessoas e de conteúdo.
Esta quarta-feira à noite, por meio virtual – um ato presencial está marcado para a próxima semana – lideranças do partido entre elas o próprio João Paulo, o ex-deputado Fernando Ferro e a vereadora da capital Kari Santos, que tem grande visibilidade nas redes sociais, lançaram a candidatura a presidente do cientista político Pedro Alcântara, de 36 anos, que faz parte da Executiva Estadual da legenda e que já ocupou as funções de secretário estadual da Juventude e de Formação. Pedro é da CNB – Construindo um Novo Brasil – a mesma tendência do senador Humberto Costa.
Hoje o presidente municipal, Cirilo Mota, que está no cargo há mais de 5 anos, é da tendência Democracia Socialista da qual fazem parte o atual secretario do prefeito João Campos, Oscar Barreto, e seu irmão Osmar Ricardo, suplente de vereador mas que assumiu depois que o prefeito convidou o vereador Marco Aurélio (PV) para sua equipe. Se havia alguma dúvida sobre a postura que Pedro Álcântara vai adotar na campanha que começa dia 14 de abril – a eleição municipal está marcada para 5 de maio – ele diz que vai pregar a unidade e uma mudança de postura da legenda.
"O PT precisa ter uma postura mais altiva e autônoma e impedir que forças externas interferiam nas nossas decisões. Necessitamos também de recuperar o legado das nossas administrações municipais, falar para as nossas bases, para os jovens, para o PT. Em 2024 não conseguimos que um petista fosse candidato a vice – prefeito e tivemos um resultado na capital muito aquém do que representamos. Ou reagimos agora ou vamos ficar cada vez menores”.
CNB ainda não se reuniu
Embora Pedro seja da CNB e defenda um consenso no grupo, a tendência ainda não se reuniu para debater a situação do Recife, segundo o secretário-geral Sérgio Goiana. Há outra postulação na mesma tendência: a do ex-vereador Jairo Brito que está animado mas afirma que ainda vai aguardar os acontecimentos para definir se será candidato ou não. Já Cirilo Mota informou a este blog que ainda não resolveu se vai tentar a reeleição: “preciso decidir se agora vou cuidar da minha vida e deixar em segundo plano a vida pública”.
Manifesto à Militância
O manifesto que lançou Pedro Alcântara (anexo) fala do que foi feito na capital pelos petistas quando assumiram a Prefeitura, das várias eleições ganhas e conclui que “o PT do Recife tem sido dirigido por uma burocracia que ignora a própria história e o legado da legenda. O diálogo com nossa base foi abandonado e o partido tem priorizado uma relação de subordinação a forças externas. Esse equívoco resultou no esvaziamento das instâncias decisórias que se reúnem pouco e funcionam de forma precária”. Sobre 2024 a conclusão é de que “o resultado foi muito ruim: queda expressiva dos votos na legenda, perda de vagas na Câmara de Vereadores e um PT que quase desapareceu do cenário político e eleitoral”.
Pergunta que não quer calar: qual é a força externa a que se refere o manifesto de lideranças do PT?