"Uma governadora precisa de um grande partido", diz Kassab sobre Raquel Lyra no PSD
Ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o presidente do PSD falou sobre a chegada de Raquel na legenda e o cenário político brasileiro
O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que a ida da governadora Raquel Lyra para o partido se dá em meio a um crescimento da legenda e destacou que o partido tem suporte para um gestor estadual. A declaração foi dada, nesta segunda-feira (10), em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
"Ela veio para o PSD porque é um partido em crescimento compatível de uma governadora. Um governador, uma governadora, precisa de um grande partido", cravou Kassab.
A governadora se filia, nesta segunda-feira (10), ao PSD. O evento será realizado no Recife Expo Center, no Cais de Santa Rita, Centro do Recife, às 18h55 (uma alusão ao número do partido). O ato de filiação da agora ex-tucana promete ser grandioso, com presença de várias autoridades políticas do partido e de empresários pernambucanos.
Durante a entrevista, o presidente também comentou o cenário político nacional, a relação com o governo Lula e as possibilidades do partido para as eleições de 2026.
PSD neutro ou aliado do governo Lula?
Questionado se a chegada de Raquel no PSD é uma tentativa da gestora de obter ainda mais proximidade com o governo do presidente Lula, Kassab ressaltou que, se a gestora estiver bem avaliada em Pernambuco, ela poderá se reeleger, independentemente do cenário nacional.
"Então, ela não deixou o PSDB porque é próximo ou distante Lula. Não veio para o PSD porque é próximo ou distante do Lula. Ela veio para o PSD porque é um partido em crescimento compatível de uma governadora", afirmou.
"A vinda da Raquel é única e exclusivamente por conta da importância que tem para um governador a filiação a um partido grande, que lhe dê retaguarda em todas as ações. O que fez ela vir foi, realmente, as dificuldades que o PSDB tem no momento e o crescimento expressivo, reconhecido por todos, que o PSD vem vivendo", completou Kassab.
PSD na mira em 2026
Ao ser perguntado sobre os desejos do partido em ter uma candidatura própria para a Presidência em 2026, Kassab foi categórico nas pretensões.
"Não há grande partido que não tenha como principal objetivo ter uma candidatura própria. Então, nessa eleição [2026], por mais que a gente tenha pessoas com relações excepcionais com o governo Lula, temos ministros no governo, o nosso pessoal do Sul tem uma relação muito privilegiada com o ex-presidente Bolsonaro. Então, o nosso esforço vai ser para ter candidatura própria", comentou.
Gilberto ainda citou a lançamento da pré-candidatura à presidência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e rendeu elogios ao colega de partido. "Durante os seus dois mandatos como governador, ele apresenta resultados, mostra resultado, jovem, moderno e com capacidade de gestão", disse. "Mas, na hora certa, todos vão ser ouvidos, todos vão participar de uma decisão que será coletiva", completou.
Avaliação positiva do governo Raquel Lyra
Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest mostrou a governadora Raquel Lyra conta com 51% da aprovação da população pernambucana. Ao ser questionado sobre a atuação da governadora a frente do governo, Kassab afirmou que os números são expressivos e que, ao longo desse ano e do próximo, a aprovação de Lyra tende ao crescimento.
"A minha experiência mostra que quem tem uma aprovação acima dos 50%, tem uma chance muito grande de reconhecimento da população ao serviço prestado", disse.
Kassab também ressaltou a governadora como uma pessoa brava, de coragem e batalhadora. "Eu sou um admirador da Raquel. A Raquel hoje, vamos ser claros, das mulheres na vida pública nacional, é aquela com maior expressão, com maior densidade, com melhor imagem", comentou o presidente nacional do PSD.
"Esse é o ponto mais positivo da pesquisa, ela vem crescendo na pesquisa, já esta com 28% quando as entregas ainda nem começaram. Então, o ponto mais positivo da pesquisa é esse número extraordinário. Se ela vai para 40%, o João Campos vai cair para 45%, 42%", comentou Kassab sobre um possível cenário, divulgado pela Quaest, de Raquel disputando com João Campos (PSB) o governo de Pernambuco.
Segundo a Quaest, em um cenário de 2026, João Campos (PSB) tem 56% das intenções de voto para o cargo de governador, já Raquel ficou na segunda posição, com 28%.
Analista vê Kassab como vice do PT em 2026
Também ao Passando a Limpo, na Rádio Jornal, o cientista político Adriano Oliveira comentou a entrada de Raquel Lyra no partido de Gilberto Kassab. Para o analista, a entrada da governadora no PSD é estratégica por posicioná-la em um partido que não faz oposição ao governo Lula, tendo em vista fortalecer as chances de aliança com o presidente Lula em 2026, que será disputada com João Campos (PSB), tradicionalmente mais alinhado com o PT.
“Como a governadora Raquel Lyra tem interesse em uma aliança com o presidente Lula e com o PT, e também o PT tem interesse em uma aliança com a governadora Raquel Lyra, fica muito mais confortável para o presidente Lula, para o PT e para a governadora que ela esteja em um partido que não tem a tradição de ser oposição ao PT, de ser oposição ao Lulismo”, afirma.
Para o analista, a escolha do PSD como casa nova acompanha suas ambições políticas, que já não encontravam espaço em um PSDB enfraquecido e ‘sem identidade’.
“A governadora Raquel Lyra, como é uma governadora que tem uma visão de Estado, uma visão para Pernambuco, uma visão para o Brasil, certamente se viu desamparada em estar num partido que não tem um propósito para o futuro da política brasileira e o futuro da nação brasileira. Portanto, foi uma decisão acertada”, analisa.
Oliveira afirma que o PSD traz a governadora para o centro, movimento que Lula também deve fazer, segundo o professor, para angariar apoio para 2026, e estar próxima a Gilberto Kassab pode ajudar a governadora a formar uma coalizão com Lula.
O dirigente do PSD é visto pelo analista como um potencial candidato à Vice-Presidência em uma chapa com o PT em 2026, movimento que reforçaria a ‘necessidade urgente’ de o governo caminhar para o centro, com a substituição de Geraldo Alckmin, que poderia disputar o Senado pelo estado de São Paulo.
“E, consequentemente, isso consolidaria a candidatura Lula como uma candidatura de centro-esquerda e não como uma candidatura puramente de esquerda. Portanto, eu vejo o PSD, através de Gilberto Kassab, como alternativa à vice-presidência da República na chapa do presidente Lula ou de outro candidato do PT”, diz o cientista político.