Programa do Recife alia bolsa de estudo e alfabetização para população de rua
Iniciativa voltada a adultos sem teto repassou auxílios de até R$ 600 e garantiu a inserção de dezenas de alunos na rede municipal de ensino
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No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado neste 8 de setembro, o programa Pão e Letra completa um ano de execução no Recife. A política pública, direcionada à escolarização e qualificação profissional da população em situação de rua, combina a formação pedagógica à concessão de bolsas financeiras mensais para conter a evasão escolar.
Na primeira turma de 30 usuários atendidos nos Centros Pop Glória e Neuza Gomes, 26 concluíram a etapa inicial do programa e 21 migraram para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal. Em um segundo grupo com o mesmo número de inscritos, 18 alunos finalizaram a fase preparatória e todos deram continuidade aos estudos na EJA.
Modalidades de bolsas e estrutura pedagógica
Para viabilizar a permanência dos participantes nas salas de aula, a Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome do Recife (SAS) concede auxílios financeiros divididos em quatro categorias:
- Iniciante (R$ 200): paga aos participantes no ingresso e durante as atividades educativas de letramento;
- Estudante (R$ 300): repassada aos educandos encaminhados à EJA sob acompanhamento de tutoria;
- Qualificação profissional (R$ 300): voltada a alunos matriculados em cursos de capacitação com duração superior a um mês;
- Multiplicador (R$ 600): destinada aos egressos do programa que atuam na mobilização social de novos alunos.
A iniciativa é operada em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que apoia a metodologia de ensino por meio do Programa de Educação Tutorial (PET) e de grupos de pesquisa em práticas pedagógicas.
Panorama do analfabetismo na população de rua
A concepção da política pública levou em consideração os dados do Censo da População em Situação de Rua do Recife (2022), que contabilizou 1.806 pessoas nessa condição — das quais 1.443 viviam nos logradouros e 363 estavam acolhidas em abrigos institucionais.
O diagnóstico social revelou os seguintes indicadores educacionais e trabalhistas:
- Escolaridade: 22% declararam não saber ler nem escrever, enquanto 38% abandonaram os estudos no Ensino Fundamental e apenas 15% concluíram o Ensino Médio;
- Mercado de trabalho: 48% não tinham ocupação laboral à época do levantamento; entre os desempregados, 37% informaram estar sem trabalhar há mais de uma década.