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Coleta seletiva no Recife atinge 5 mil pontos, mas 30% do lixo é reciclável

Capital recolhe 330 toneladas por mês e remunera cooperativas, enquanto amplia malha de atendimento porta a porta e estações de entrega

Por Maria Clara Trajano Publicado em 08/09/2026 às 13:58

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A coleta seletiva porta a porta no Recife registrou expansão no número de imóveis e estabelecimentos cadastrados, subindo de menos de 2 mil em 2022 para cerca de 5 mil pontos atuais. Com rotas de caminhões que cobrem aproximadamente 70% do território municipal, a capital recolhe uma média de 330 toneladas de materiais recicláveis por mês (cerca de 4 mil toneladas anuais).

No entanto, um estudo gravimétrico realizado pela própria administração municipal indica que cerca de 30% de todo o lixo sólido urbano gerado na cidade ainda possui potencial para reciclagem, mas acaba descartado no aterro sanitário por falta de separação na origem.

Infraestrutura e repasses às cooperativas

O recolhimento porta a porta é acompanhado por equipamentos fixos de descarte geridos pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb). A rede física de recebimento voluntário passou por ampliações nos últimos dois anos:

  • Ecoestações: expansão de 8 para 17 unidades operacionais;
  • Pontos de Entrega Voluntária (PEVs): crescimento de 50 para mais de 150 estruturas espalhadas pela cidade;
  • Triagem e destinação: 11 cooperativas de catadores cadastradas recebem o material coletado.

Além de encaminhar os resíduos recolhidos, a gestão municipal paga às cooperativas o valor de R$ 200 por tonelada de material triado e comercializado. Duas dessas unidades, a Reciclando Vidas e a Recicla Torre, passaram por obras de requalificação de infraestrutura, com previsão de adequação das demais sedes parceiras.

Descarte correto e impacto na triagem

A mistura de resíduos orgânicos ou rejeitos ao material reciclável inviabiliza o reaproveitamento e reduz o valor de venda obtido pelos catadores. A adesão ao sistema depende do cadastramento de residências, condomínios e comércios no portal oficial da Emlurb, onde também estão disponíveis os dias e horários das rotas.

Segundo o diretor de Limpeza Urbana da Emlurb, José Mário Antonino, o volume reaproveitado pela cadeia produtiva depende diretamente da triagem feita pelos geradores:

"Conseguimos ampliar significativamente a estrutura e o alcance da coleta seletiva, mas a participação da população continua sendo essencial. A coleta seletiva começa dentro de casa, no condomínio, no comércio e nas empresas. Quando o material é separado corretamente, ele deixa de seguir para o aterro, fortalece as cooperativas, gera renda e pode retornar à cadeia produtiva como matéria-prima."

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Maria Clara Trajano

mtrajano@sjcc.com.br

Jornalista pela UFPE, no SJCC desde 2022