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Fernando de Noronha, Tamandaré e Costa dos Corais recebem projetos de pesquisa, conservação e restauração de corais

Iniciativa prevê estudos sobre qualidade da água, sedimentação, pesca e turismo, além de ações de educação e ciência cidadã nas comunidades

Por JC Publicado em 30/08/2026 às 17:46

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Áreas protegidas de Pernambuco estão entre as contempladas por dois projetos nacionais voltados à pesquisa, conservação, monitoramento e restauração de recifes de coral.

As iniciativas, financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), terão investimento total de R$ 50,87 milhões e serão desenvolvidas ao longo de 36 meses em nove estados brasileiros, abrangendo cerca de 3 mil quilômetros da costa.

No estado, as ações serão realizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) de Fernando de Noronha, no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, no Parque Natural Municipal do Forte de Tamandaré e na APA de Guadalupe. A APA Costa dos Corais, que também integra o projeto, se estende pelo litoral de Pernambuco e Alagoas.

Os projetos fazem parte do BNDES Corais e são executados pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST), fundação de apoio ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e pelo WWF-Brasil.

Em Tamandaré, uma das frentes previstas dará continuidade ao monitoramento e à restauração passiva de uma área de recifes protegida desde 1999. O trabalho também deverá desenvolver estudos relacionados à qualidade da água, sedimentação, pesca e turismo.

A atuação em Pernambuco também prevê ações de pesquisa e restauração com a participação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto Recifes Costeiros (IRCOS), do Reef Bank e do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), do ICMBio.

Pesquisa e combate a espécies invasoras

Além do trabalho de campo, os projetos pretendem ampliar o conhecimento sobre os recifes brasileiros por meio do mapeamento de áreas ainda pouco conhecidas. Também serão produzidos mapas, imagens e vídeos em alta resolução, além de informações que possam auxiliar gestores na tomada de decisões relacionadas à conservação dessas áreas.

Outra frente será a detecção precoce e o manejo de espécies exóticas invasoras, entre elas o coral-sol e o peixe-leão, que representam ameaças aos ecossistemas marinhos.

Os dados coletados serão reunidos em uma plataforma pública, com informações atuais e históricas sobre os ambientes monitorados. A ferramenta deverá permitir o acompanhamento de mudanças e tendências nos ecossistemas e servir de apoio a gestores, pesquisadores e outros usuários.

Ao todo, os projetos devem apoiar 14 unidades de conservação, adquirir 137 equipamentos para atividades de campo, monitorar 16 espécies e identificar e acompanhar 12 espécies exóticas ou invasoras.

“Os dois projetos atuam em diferentes pontos da costa e reúnem monitoramento, pesquisa, restauração e ações de uso sustentável”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Conservação e comunidades costeiras

As iniciativas também incluem ações voltadas às comunidades que vivem da relação com os recifes. Entre as medidas previstas estão o apoio a pequenos negócios ligados ao turismo sustentável e à conservação, atividades de educação, comunicação e ciência cidadã e formação de professores e educadores.

Também está prevista a produção de um documentário sobre os recifes brasileiros e as comunidades que dependem desses ecossistemas.

Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, a conservação dos recifes está diretamente relacionada à proteção das populações que vivem no litoral.

“Quando um recife se perde, não perdemos apenas a biodiversidade: aumentamos a vulnerabilidade das cidades e comunidades costeiras e comprometemos fontes de alimento e renda de milhares de pessoas”, afirma.

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