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Bárbara Penna - Divulgação
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O mês de agosto é marcado pela campanha nacional de conscientização sobre o fim da violência contra a mulher. O Agosto Lilás foi criado em referência ao aniversário da Lei Maria da Penha e busca alertar a sociedade sobre a importância da denúncia contra esse tipo de violência.
Com objetivo de promover acolhimento e mobilização pela causa, Olinda recebe a primeira edição do Olinda Lilás, que conta com uma programação gratuita de debates, aula de defesa pessoal, serviços e shows durante todo o dia 8 de agosto.
No entanto, neste sábado (1) a cidade vai recepcionar uma prévia especial do evento com o Cortejo de Mulheres. A concentração será às 16h, no Bar do Ró, no Amparo, já a saída está marcada para às 17h ao som da orquestra de frevo Maracaminas.
O cortejo vai passear pelas ladeiras do Sítio Histórico e se encerra no Largo do Amparo, onde será recebido pelo grande encontro de nações de maracatu, que desfilarão em celebração ao Dia Nacional do Maracatu.
Orquestra de Frevo Maracaminas - Divulgação Programação completa
A programação do dia 8 de agosto tem início pela manhã, às 9h, no Teatro Fernando Santa Cruz (no Mercado Eufrásio Barbosa) com a palestra de Bárbara Penna, sobrevivente de um caso de tentativa de feminicídio.
Em seguida, acontece o painel “Quem Protege as Mulheres? O papel de cada um para fazer a diferença”, com a presença da advogada criminalista e especialista na Lei Maria da Penha, Fernanda Rodrigues; o psiquiatra, João Alves; a presidente da ONG Pazear, Karina Paz; a vice-presidente do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi; e o pesquisador do Instituto Gema/UFPE, Wellington Albuquerque.
As atividades da manhã se encerram com um Aulão de Defesa Pessoal, conduzido pela faixa-preta de jiu-jitsu Eduarda Nascimento.
Durante a tarde, o Olinda Lilás ocupa a Praça do Carmo com várias atrações culturais, além de disponibilizar serviços gratuitos, como orientação jurídica, atendimento psicossocial, informações sobre canais de denúncia e serviços públicos de apoio.
Segundo Paula Limões, vice-presidente do Instituto Banco Vermelho e uma das apoiadoras do evento, o espaço estará funcionando a partir das 14h e deve ficar aberto até às 20h.
“Na arena de serviços tem a Secretaria da Mulher, a Secretaria da Saúde que vai estar aplicando teste de sífilis e HIV, o NUDEM que é o núcleo de Defensoria Pública da Mulher. Tem um espaço lá climatizado onde as mulheres podem ter privacidade”, explica.
Às 16h, algumas agremiações carnavalescas como o Eu Acho é Pouco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Cariri Olindense e muitas outras se concentram no Largo do Guadalupe para um cortejo que percorre as ladeiras do Centro Histórico.
As agremiações fazem o caminho de volta para a Praça do Carmo, onde acontecem shows do grupo Sambadeiras e das DJs Lala K e Allana Marques.
Sambadeiras - Divulgação Transporte gratuito
De acordo com Mariana Gusmão, criadora do projeto Somos Lilás e idealizadora do evento, durante o show da noite a estrutura vai contar com uma área PCD coberta para acolher pessoas com mobilidade reduzida.
Para ampliar o acesso ao evento, haverá transporte gratuito para mulheres, com ônibus saindo do Shopping Tacaruna e do bairro de Rio Doce, em Olinda (em frente à Vila Olímpica), das 14h às 21h, com intervalos de 30min.
“Os ônibus vão poder transportar qualquer mulher pro evento. Ele é focado mais nas mulheres periféricas, mas qualquer mulher vai poder fazer o transporte gratuitamente, porém ele é exclusivo para mulheres e crianças”, ressalta Mariana.
O Somos Lilás é um projeto independente de mobilização social que atua no enfrentamento à violência contra a mulher por meio da cultura, da informação e do engajamento comunitário. Criado neste ano, a iniciativa recebeu apoio do Instituto Banco Vermelho para a realização do primeiro evento oficial, o Olinda Lilás.
“O Instituto Banco Vermelho está entrando no evento como um braço de prevenção e um tom de voz. Então toda a estratégia com o poder público, Defensoria Pública, Secretaria da Mulher, todos esses serviços fundamentais são correlatos com o Instituto”, esclarece Paula.
O projeto foi idealizado por Mariana Gusmão após uma experiência pessoal de insegurança e ao presenciar situações de assédio enquanto brincava o carnaval de Olinda sozinha. Segundo ela, o objetivo é garantir que as mulheres possam ocupar o espaço público sem medo.
“Eu pensei em fazer um carnaval para as mulheres, não exclusivo para as mulheres, porque precisamos chamar a sociedade para essa luta, mas um dia onde vamos sair nos sentindo seguras, onde vamos poder pertencer, podendo ocupar as ruas sem medo e celebrando o que mais importa, que é a nossa vida”, diz Mariana.
Para Paula, ao trazer o assunto através da cultura é possível atingir mais pessoas, gerando uma consciência maior sobre o tema do que apenas através de debates tradicionais.
“Quando trazemos o lado da cultura e da música, a gente tira um pouco esse olhar político de divisão, de polarização. Então, se a gente tá falando que o carnaval é para todos, esse é assunto também é de todos.”