Estudo vocacional avança debatendo propostas para reestruturar a Rua da Imperatriz
Comerciantes, moradores e órgãos públicos participaram de oficina no Recife para mapear novos usos do corredor, entre moradias e empreendimentos
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Proprietários de imóveis, comerciantes, moradores e representantes de órgãos públicos se reuniram nesta segunda-feira (20) no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGPE), no bairro da Boa Vista, área central do Recife, para participar da segunda oficina dos Estudos Vocacionais para a Rua da Imperatriz.
O encontro integra uma articulação entre a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) voltada à formulação de propostas para combater o processo de degradação da via.
Diagnóstico participativo
A iniciativa busca mapear as potencialidades econômicas e sociais do logradouro a partir da consulta direta aos agentes que vivenciam a dinâmica diária do local. Durante a oficina, os participantes apresentaram sugestões e debateram diagnósticos sobre ocupação espacial, infraestrutura e viabilidade de atividades comerciais e habitacionais.
"Existe um grande número de interesses diferentes que podem coexistir nessa rua. A oficina visa a identificação de usos possíveis enxergados para o local e, posteriormente, a definição das responsabilidades para a implantação, se da iniciativa privada ou do setor público. Tudo isso será analisado em um relatório técnico propositivo, indicando as vocações futuras para a Rua da Imperatriz", afirma Iana Ludermir, coordenadora da iniciativa.
Atração de moradias e articulação com o Recentro
A reestruturação da via é apontada pela gestão municipal como peça integrante no plano de revitalização do Centro do Recife. A ação dialoga com as diretrizes do programa Recentro, da Prefeitura do Recife, responsável por integrar intervenções de mobilidade, segurança e zeladoria na área central.
Entre os eixos em discussão, destaca-se o estímulo à habitação na via, de modo a complementar o comércio e os equipamentos culturais instalados no perímetro.
"A questão da escuta e do diálogo com quem vivencia o local no dia a dia é a prática do Recentro. Nosso grande desafio é atrair moradores, e acreditamos no potencial da Rua da Imperatriz como um local de habitação. Já temos projetos em licenciamento na prefeitura, aliados a órgãos públicos, equipamentos culturais e comércio", explica Ana Paula Vilaça, chefe do Gabinete do Centro (Recentro) da prefeitura do Recife.
"Não podemos olhar a Rua da Imperatriz isoladamente; ela está conectada a toda a dinâmica e diversidade do Centro. Queremos que o estudo dialogue com as ações de mobilidade, zeladoria e habitação já em andamento, como o Distrito Guararapes e a PPP de Locação Social", completa.
Planejamento regional
A participação da Sudene insere a discussão da Rua da Imperatriz no planejamento de reestruturação de centros urbanos na Região Nordeste.
"Essa é uma demanda que existe em todos os centros urbanos do Nordeste, com questões diversas de planejamento urbano e organização do território. Faz parte também do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste pensar as regiões metropolitanas. Diante das necessidades de planejamento urbano e com os recursos do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste, que possui uma linha de atenção especial para esse tipo de ação, resolvemos realizar esse estudo em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco", explica José Farias, diretor de promoção do desenvolvimento sustentável da Sudene.
As contribuições recolhidas no encontro desta segunda-feira integrarão o Estudo Vocacional, que será consolidado pela equipe técnica da UFPE em um relatório propositivo. O documento servirá de baliza para a definição de incentivos, licenciamentos e intervenções estruturais na área central da capital.