MPPE monitora impacto ambiental de futuros data centers em Pernambuco
Órgãos federais e estaduais têm 30 dias para enviar estudos sobre consumo de água e energia dessas estruturas de tecnologia da informação
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Núcleo de Proteção Especializada do Meio Ambiente (Nupema), instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a eventual instalação de data centers no estado.
A ação ministerial visa avaliar previamente os impactos ambientais, econômicos e sociais desses empreendimentos, com atenção rigorosa voltada para a segurança hídrica e o uso dos recursos naturais locais.
Solicitação de informações
Para subsidiar as investigações, quatro coordenações regionais do núcleo encaminharam ofícios conjuntos a órgãos estaduais e federais fixando um prazo de 30 dias para o envio de respostas. Ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o MPPE solicitou informações sobre a existência de consultas técnicas, termos de cooperação ou estudos prévios de impacto ambiental em território pernambucano, além de cópias de documentos eventualmente produzidos.
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também foi acionada para fornecer dados detalhados sobre processos de licenciamento em andamento, incluindo pedidos de licença prévia, de instalação ou de operação. O Ministério Público demandou a identificação das empresas interessadas e o mapeamento dos locais cogitados para receber as estruturas.
Na esfera legislativa, o Nupema solicitou esclarecimentos à Comissão de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) sobre projetos de lei em tramitação, estudos técnicos recebidos pelo colegiado e a previsão de audiências públicas para debater o tema.
Por fim, as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) foram notificadas. A Semas deve informar sobre estudos socioambientais vigentes, enquanto a Secti deve apresentar diagnósticos preliminares e análises de viabilidade técnica e econômica relacionados aos centros de dados.
Por que os data centers podem ser prejudiciais ao meio ambiente?
Embora fundamentais para a infraestrutura digital moderna, os data centers geram severas preocupações ecológicas devido à escala de suas operações. Os principais fatores de impacto ambiental incluem:
- Consumo extremo de energia: operando sem interrupções, essas estruturas demandam um volume de eletricidade equivalente ao de cidades inteiras. O avanço do processamento de Inteligência Artificial eleva ainda mais essa carga, o que tem pressionado matrizes energéticas e forçado a reativação de usinas termelétricas poluentes em diversas regiões do mundo.
- Escassez e poluição da água: os microchips dos servidores superaquecem rapidamente e exigem refrigeração constante. Grandes instalações chegam a evaporar milhões de litros de água potável diariamente para o resfriamento dos sistemas, criando riscos de desabastecimento e acirrando disputas por recursos hídricos com comunidades locais.
- Emissões de gases de efeito estufa: a pegada de carbono dessas estruturas está diretamente atrelada à energia que as alimenta. Quando os data centers dependem de redes elétricas sustentadas por combustíveis fósseis, tornam-se grandes vetores de emissão de poluentes que aceleram o aquecimento global.