Pernambuco | Notícia

Avanço do emprego não freia salto da extrema pobreza no Recife, revela pesquisa

Apesar de desempenho intermediário no ranking nacional, capital tem alerta em proteção social, mas também se destaca em gestão e infraestrutura

Por Maria Clara Trajano Publicado em 03/07/2026 às 12:00

Clique aqui e escute a matéria

O Recife ocupa uma posição intermediária entre as capitais brasileiras na Pesquisa de Qualidade dos Serviços Públicos nas Capitais 2026, terceira edição da pesquisa elaborada pela Agenda Pública, organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP).

A capital pernambucana aparece na 15ª colocação nacional e na quarta posição entre as cidades do Nordeste, com Índice de Qualidade dos Serviços Públicos (IQSP) de 0,505, ligeiramente acima da média regional (0,487) e também da média dos municípios brasileiros (0,491).

O desempenho, entretanto, esconde contrastes importantes. Enquanto o município apresenta bons resultados em infraestrutura, gestão pública e mobilidade, a pesquisa identifica um dos principais desafios do Recife na dimensão de proteção social.

O avanço do emprego formal registrado nos últimos anos não foi suficiente para impedir um crescimento expressivo da população em situação de extrema pobreza, reforçando um cenário de vulnerabilidade social que se mantém mesmo diante da recuperação econômica.

Extrema pobreza cresce mesmo com geração de empregos

O levantamento destaca que o Recife registrou saldo positivo na geração de empregos formais desde 2021, seguindo uma tendência observada em diversas capitais brasileiras. Ainda assim, os dados do Cadastro Único mostram um aumento significativo das famílias em situação de extrema pobreza, indicando que a expansão do mercado de trabalho não se traduziu, necessariamente, em melhora das condições de vida para a população mais vulnerável.

Entre 2021 e 2023, foi registrado um aumento de 63% no número de famílias em situação de extrema pobreza, totalizando mais de 116 mil famílias nessa condição

Essa dissociação entre crescimento do emprego e persistência da pobreza aparece como um dos principais alertas da pesquisa para o município. Segundo o estudo, o fortalecimento das políticas de assistência social, aliado a estratégias de inclusão produtiva e qualificação profissional, torna-se essencial para reduzir esse descompasso.

O diagnóstico acompanha uma tendência apontada para outras capitais nordestinas, onde a Agenda Pública observa que desenvolvimento econômico e proteção social ainda caminham em ritmos diferentes, exigindo maior integração entre políticas de geração de renda e combate às desigualdades.

Recife supera média nacional em gestão e infraestrutura

Apesar dos desafios sociais, o Recife apresenta alguns dos melhores indicadores da pesquisa.

Entre as nove dimensões avaliadas, os maiores destaques da capital são:

  • Gestão: índice de 0,791, muito acima da média brasileira (0,284);
  • Infraestrutura: 0,747, também superior à média nacional (0,492);
  • Mobilidade: 0,599, ligeiramente abaixo das capitais líderes, mas acima da média brasileira (0,512);
  • Desenvolvimento: índice agregado de 0,614.

O Recife aparece entre as cinco capitais mais bem colocadas do Nordeste, atrás apenas de Aracaju, Teresina e Fortaleza. Na comparação regional, o município supera João Pessoa, Natal, São Luís, Salvador e Maceió no índice geral.

Saúde é outro ponto de atenção

A pesquisa também chama atenção para indicadores de saúde pública. Na avaliação regional, o Recife é citado entre as capitais que apresentam indicadores críticos relacionados a óbitos evitáveis e mortes prematuras. Segundo o estudo, ampliar a cobertura da atenção básica, fortalecer o acompanhamento contínuo dos pacientes e intensificar ações preventivas podem contribuir para reduzir esse quadro.

Em relação ao tempo de espera para realização de consultas e exames, a população entrevistada apresenta um alto nível de insatisfação (soma das respostas ‘muito insatisfeito’ e ‘insatisfeito’).

  • Tempo de espera para a realização de consultas: 75,3% de insatisfação;
  • Tempo de espera para a realização de exames: 74,3% de insatisfação.

A saúde foi apontada como uma das quatro áreas prioritárias para as capitais nordestinas, ao lado de educação, proteção social e desenvolvimento econômico.

Educação e desenvolvimento econômico ficam em posição intermediária

Nas demais dimensões, o Recife apresenta resultados considerados intermediários. O índice de educação foi de 0,541, abaixo da média nacional (0,723), enquanto o desenvolvimento econômico atingiu 0,319, acima da média brasileira para essa dimensão (0,279), mas distante das capitais mais bem posicionadas.

Já no meio ambiente, a cidade alcançou 0,538, desempenho superior ao índice médio nacional (0,262), reforçando um dos pontos fortes observados na pesquisa para as capitais nordestinas como um todo.

Recife no ranking nacional

No ranking geral das 26 capitais brasileiras, Curitiba lidera o levantamento, seguida por Florianópolis e Vitória. No Nordeste, Aracaju aparece como a capital mais bem posicionada, ocupando a nona colocação nacional.

O Recife figura na 15ª posição do País, à frente de Boa Vista, Fortaleza, João Pessoa, Natal, São Luís, Salvador, Macapá, Maceió, Porto Velho e Belém.

Compartilhe

Tags