UFRPE retoma monitoramento de tubarões na costa de Pernambuco após 11 anos
Projeto recebe investimento superior a R$ 1 milhão do governo estadual para rastrear espécies nas praias locais ao longo de dois anos
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*Com informações de Dyandhra Monteiro, da TV Jornal
Interrompido pelo governo estadual desde 2015, o monitoramento de tubarões na costa pernambucana será retomado a partir deste mês de junho pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A iniciativa é resultado do edital Cientista Arretado, lançado em janeiro pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE) e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE).
O projeto prevê um investimento de mais de R$ 1 milhão e terá duração de 24 meses. A volta do rastreamento ocorre em meio a novos registros de incidentes na Região Metropolitana do Recife.
Na tarde desta segunda-feira (1º), uma mulher de 19 anos teve a perna arrancada após ser mordida por um tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
O caso acontece um dia após o incidente envolvendo um menino de 11 anos, que precisou ter a perna amputada após ser mordido na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no domingo (31). Ainda em janeiro deste ano, um adolescente de 13 anos morreu após também ser mordido por um tubarão em Olinda.
Metodologia de marcação
O trabalho em campo será coordenado pelo professor Paulo Vasconcelos de Oliveira, que detalhou como a tecnologia será empregada para registrar os deslocamentos ao longo do litoral pernambucano.
"Os animais serão capturados, vão ser chipados, vão receber uma marca e vão ser devolvidos para o mar. A partir daí a gente vai ter condições de fazer esse monitoramento, ou seja, saber onde esses animais estão e como eles estão utilizando os oceanos", explicou o pesquisador.
Mapeamento de comportamento
O estudo terá como foco as duas principais espécies envolvidas nos incidentes com banhistas no Estado: o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. Segundo Vasconcelos, o cruzamento de dados permitirá entender os fatores ambientais que atraem os animais para as áreas de banho.
"A partir do momento que o animal estiver marcado, quando ele se aproximar mais da costa, a gente vai conseguir ter essa informação, se ele se afastar mais da costa a gente também vai ter essa informação. Se ele está mais próximo do estuário do rio Jaboatão ou se essa área de atuação está sendo expandida. Ele prefere estar mais próximo da costa na maré cheia ou maré seca? Enfim, a gente vai conseguir mapear a utilização de todo esse espaço do oceano por esses animais marcados", concluiu o coordenador do projeto.