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Tubarão-tigre causou incidente em Boa Viagem; Maré de lua cheia favorece aproximação dos animais, explica Cemit

Especialista explicou que a identificação ocorre por meio das marcas deixadas pela mordida e pela gravidade do ferimento provocado

Por Aisha Vitória Publicado em 01/06/2026 às 18:21 | Atualizado em 01/06/2026 às 22:03

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As marés intensificadas pela lua cheia podem aumentar as condições favoráveis para incidentes envolvendo tubarões no litoral pernambucano. A explicação é da analista ambiental Danise Alves, do do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), que aponta que o atual período de marés altas e águas mais turvas pode dificultar a identificação das presas pelos animais.

As declarações foram dadas após o ataque registrado na tarde desta segunda-feira (1º), na Praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Uma mulher de 19 anos foi atacada nas proximidades do quiosque 19, na região próxima à Padaria Boa Viagem, e teve a perna direita arrancada.

Segundo a analista, o dia 30 de maio marcou o início do período de lua cheia, fase que, junto à lua nova, provoca o que especialistas chamam de “marés de lua”, caracterizadas por movimentos mais intensos de água.

"Elas (as marés de lua) causam marés muito fortes. Você vê ondas, ventos e a água fica muito turva porque remove muito sedimento nesse movimento das marés. Então, tudo isso faz com que o animal não consiga usar o sentido da visão. Ele acaba investigando de outras formas. A água turva faz com que o animal não reconheça a sua presa natural e acabe consumindo você", explicou.

Espécie do tubarão

Segundo Danise Alves, o padrão da lesão permite apontar indícios sobre a espécie envolvida no incidente. Em nota, o Cemit confirmou que a vítima do incidente desta segunda foi atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento, espécie diferente daquela relacionada ao caso registrado no dia anterior.

De acordo com o órgão, o ataque ocorrido no domingo (31), que teve como vítima um menino de 11 anos na Praia de Piedade, foi causado por um tubarão-cabeça-chata. O ataque desta segunda-feira aconteceu um dia após o caso registrado em Piedade.

Denise explicou ainda que a identificação ocorre por meio das marcas deixadas pela mordida e pela gravidade do ferimento provocado.

"Pelo padrão da lesão e pelas marcas da dentição deixadas na perna da vítima. É uma espécie que tem característica de amputação, realmente. Ele [o tubarão-tigre] consegue ter uma força na mandíbula muito forte, causando essa amputação imediata", afirmou.

Orientações

A especialista também destacou que o trecho possui sinalização alertando para os riscos. Segundo ela, durante períodos de maré alta e chuva, a orientação é evitar entrar no mar.

"O que a gente pede nesse período de marés altas é evitar banho de mar de toda forma. Se for à praia, procure áreas mais abrigadas, como piscinas naturais, ou aproveite a faixa de areia", disse.

Ainda segundo a especialista, mesmo a presença dos arrecifes não impede a passagem dos animais durante marés elevadas.

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