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População sem acesso a saneamento tem renda 48% menor, aponta levantamento

Universalizar infraestrutura de água e esgoto injetaria R$ 22 bi anuais no País; em Pernambuco, privação afeta mais os vulneráveis

Por Maria Clara Trajano Publicado em 05/05/2026 às 15:56

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O acesso a serviços básicos de água potável e tratamento de esgoto tem impacto direto na capacidade de geração de renda da população. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024 indicam que trabalhadores residentes em áreas atendidas por saneamento ganham, em média, 48,6% a mais do que aqueles privados dessa infraestrutura.

Em Pernambuco, estado onde mais de 6,6 milhões de pessoas ainda vivem sem coleta de esgoto, a universalização do serviço é apontada como um vetor decisivo para a inclusão social e o desenvolvimento econômico.

A diferença salarial atrelada à moradia com saneamento básico reflete diretamente as condições de saúde da força de trabalho. Profissionais com acesso a água tratada e esgotamento sanitário registram menor incidência de doenças de veiculação hídrica. Consequentemente, apresentam uma taxa reduzida de internações e de afastamentos médicos, o que eleva a produtividade e a presença no mercado de trabalho.

O impacto financeiro da universalização

O levantamento do IBGE detalha o abismo financeiro ocasionado pela falta de infraestrutura: a renda mensal média de quem possui saneamento é de R$ 3.447,79. Entre os cidadãos sem acesso à estrutura básica, o rendimento cai para R$ 2.320,39 — uma diferença bruta de R$ 1.127,40 na remuneração mensal.

A projeção em escala nacional reforça o peso econômico do setor. O estudo do Instituto Trata Brasil estima que a expansão contínua do acesso aos serviços geraria a adição de R$ 438 bilhões em renda do trabalho no período acumulado de 2021 a 2040 e média de ganho financeiro anual de aproximadamente R$ 22 bilhões para os trabalhadores brasileiros.

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