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Estudantes de Pernambuco criam soluções práticas para mitigar a crise climática

Projetos de escolas públicas reduzem temperatura local e recuperam áreas florestais, suprindo a lacuna global de educação ambiental

Por Maria Clara Trajano Publicado em 15/04/2026 às 18:56 | Atualizado em 15/04/2026 às 22:07

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A crise climática afeta diretamente o ambiente escolar e a rotina dos alunos, mas o tema ainda está ausente em 47% dos currículos nacionais ao redor do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

No Brasil, onde eventos climáticos extremos interromperam os estudos de mais de um milhão de jovens apenas em 2024, conforme o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), estudantes da rede pública de Pernambuco assumem o protagonismo e desenvolvem projetos práticos para mitigar impactos ambientais em suas comunidades.

As iniciativas locais contrastam com o cenário global, no qual sete em cada dez jovens relatam dificuldade para explicar as mudanças climáticas. Em Pernambuco, os projetos focam em problemas reais do território, abrangendo desde o reflorestamento até o planejamento urbano.

Soluções locais para desafios globais

As ações pernambucanas que ganharam destaque nacional no último ano letivo foram desenhadas para responder a problemas específicos de cada município. Entre os projetos executados pelos estudantes, estão:

Redução de ilhas de calor

Na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Senador Paulo Pessoa Guerra, no Recife, alunos mapearam áreas da escola com altas temperaturas devido à impermeabilização do solo. Com o projeto "VerdeCidade", realizaram o plantio de espécies nativas e resgataram práticas de sombreamento. Medições confirmaram uma queda de até 3,2°C nas áreas com vegetação.

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Alunos da EREM Senador Paulo Pessoa Guerra mapearam áreas da escola com altas temperaturas devido à impermeabilização do solo - DIVULGAÇÃO

Recuperação florestal e agroecologia

Para combater o déficit de cobertura vegetal em Joaquim Nabuco, Zona da Mata Sul, estudantes da EREM Governador Eduardo Campos criaram uma horta integrada ao ambiente escolar. A comunidade semeou 150 quilos de sementes nativas em uma área de 1,5 hectare.

Mobilidade urbana ativa

Na Escola Municipal em Tempo Integral (EMTI) Divino Espírito Santo, também no Recife, o foco foi a infraestrutura urbana. Os alunos analisaram os desafios enfrentados por ciclistas e, inspirados em conceitos de urbanismo, propuseram alternativas para tornar as ruas e o transporte público mais inclusivos e sustentáveis.

O impacto do contexto territorial

A eficácia das ações desenvolvidas em Pernambuco está ligada à conexão direta com a realidade dos alunos. Segundo Livia Ribeiro, engenheira ambiental e sócia-fundadora da Reconectta — organização responsável por articular a iniciativa Escolas pelo Clima, que reúne 1.500 instituições de ensino —, ignorar o contexto local gera desengajamento escolar.

"Para a maior parte dos estudantes brasileiros, a emergência climática não é uma abstração ou algo distante; ela chega pela enchente que fecha a escola, pela seca que impacta o rio próximo ou pelo calor que torna a sala de aula insuportável para o aprendizado", afirma a especialista.

"Uma educação climática que não parte da realidade local perde relevância pedagógica e falha em reconhecer quem são esses sujeitos e o que eles podem fazer", completa.

Capacitação docente e superação do fatalismo

Embora 95% dos professores reconheçam a importância de ensinar sobre o clima, menos de 30% contam com recursos didáticos adequados, segundo a Unesco.

Para preencher essa lacuna, redes de apoio pedagógico têm oferecido formação continuada gratuita para educadores, focando na autonomia docente para adaptar os conteúdos à faixa etária e à realidade regional.

Esse suporte estrutural tem sido fundamental para alterar a percepção dos estudantes diante das incertezas ambientais.

"O que mais nos chama a atenção não é só a ação em si, mas a mudança de comportamento; muitos jovens carregam uma sensação de impotência ou fatalismo, mas, com o suporte pedagógico adequado, vemos uma transição para o protagonismo real", explica Livia Ribeiro.

Os resultados dos projetos de Pernambuco e de outros estados foram compilados em um e-book público gerado a partir do Congresso Nacional Escolas pelo Clima, servindo como base de dados e inspiração para a formulação de novas políticas públicas educacionais de transição ecológica no Brasil.

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