Pernambuco | Notícia

Após desabamento com mortes no Pilar, número de imóveis interditados sobe e moradores deixam casas no Recife

Defesa Civil retornou à comunidade nesta quarta (08) e amplia interdições; famílias retiram pertences enquanto aguardam soluções

Por Ryann Albuquerque e Fagner Clemente Publicado em 08/04/2026 às 21:00 | Atualizado em 08/04/2026 às 22:55

Clique aqui e escute a matéria

*Com informações da repórter Dyandhra Monteiro, da TV Jornal

O desabamento de parte de um casarão na Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, que deixou duas pessoas mortas e duas feridas na segunda-feira (6), segue provocando desdobramentos. Equipes da Defesa Civil voltaram ao local nas primeiras horas do dia para ampliar as interdições e orientar moradores, que começaram a deixar suas casas diante do risco de novos desabamentos.

Segundo o órgão, subiu para 34 o número de imóveis interditados na área, considerada de risco. A medida atinge diretamente dezenas de famílias, que agora precisam retirar pertences às pressas e buscar abrigo provisório com parentes ou em espaços disponibilizados pela prefeitura.

Saída forçada e cenário de incerteza

Desde o início da manhã, a movimentação na comunidade foi marcada pela retirada de móveis e objetos pessoais. Caminhões foram utilizados para auxiliar no transporte dos pertences, enquanto agentes acompanhavam o processo.

Entre os moradores afetados está Ivan Cosme, que teve a casa interditada. Desempregado e em recuperação após um AVC sofrido há cinco meses, ele relata insegurança diante da situação e dificuldade para recomeçar.

"No último dia, o cara disse que o primeiro andar que empatou muito vento e deu para cá. Estava ventando muito. Muita gente aqui deu conselho 'sai, sai antes que caia'. E não tenho outra casa, uma outra opção para morar".

A orientação da Defesa Civil é que os imóveis desocupados permaneçam isolados até nova avaliação técnica.

Vítimas eram conhecidas na comunidade

O desabamento registrado na segunda-feira provocou a morte de um casal bastante conhecido na região: Fabiano Lourenço de Araújo, de 45 anos, e Simone Maria de Oliveira, de 56. Outras duas pessoas ficaram feridas.

Nesta quarta, familiares voltaram ao local. A filha de Simone esteve na área e se emocionou ao falar da perda.

"Eu não sei o que fazer sem minha mãe. Eu não acredito. Ela sempre dizia que só ia sair daí quando ganhasse a casa dela, ou se não quando morresse. Eu preciso da minha mãe, gente. Como é que eu vou viver sem minha mãe? Minha mãe era tudo pra mim. Todo mundo gostava dela. Ela era uma pessoa muito boa. Ela merecia morrer assim".

Demolição ainda sem prazo

Apesar do risco apontado, a Prefeitura do Recife informou que ainda não há data definida para a demolição da estrutura comprometida. O processo, segundo a gestão municipal, depende de autorização judicial.

De acordo com a Defesa Civil, o foco neste momento é garantir a retirada segura das famílias e oferecer suporte emergencial.

Giselle Vieira, gerente geral de Atenção Social da Defesa Civil do Recife, falou sobre acolhimento e retirada de pertences. "Essa estrutura aqui está na ação judicial e a gente tem que aguardar esses encaminhamentos para definir os procedimentos, o que a gente vai fazer enquanto prefeitura com medida emergencial e para garantia de proteção, é isolar todo o perímetro, tanto da área interna do casarão quanto da área externa vai ficar todo interditado porque é uma edificação, uma estrutura que já está em risco de desabar. Eles também estão se organizando para verificar alguns espaços, casa de parente ou já alugar outros imóveis. Então a gente está nessa negociação, nessa sensibilização com eles".

Medo de novos desabamentos

O clima entre os moradores é de apreensão. Mesmo aqueles que ainda não tiveram imóveis interditados relatam receio de permanecer na área, diante da possibilidade de novos colapsos estruturais.

"Medo demais, ele devia agir logo pra derrubar o restante, porque só quem sabe quem passou foi a gente".

A tragédia reacende o alerta para as condições estruturais da Comunidade do Pilar, onde construções antigas, intervenções urbanas incompletas e riscos históricos convivem com a rotina dos moradores. Enquanto isso, famílias afetadas tentam reorganizar a vida em meio à incerteza e à ausência de soluções definitivas.

Saiba como acessar nossos canais do WhatsApp


#im #ll #ss #jornaldocommercio" />

Compartilhe

Tags