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Acordo impulsiona descarbonização de Fernando de Noronha através de energia solar

Projeto "Noronha Verde" prevê o uso de quase 5 hectares para geração de energia limpa e inclui revitalização de açude para beneficiar comunidade local

Por Maria Clara Trajano Publicado em 25/03/2026 às 14:44

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A distribuidora Neoenergia Pernambuco e a Associação Noronha Terra formalizaram, na última semana, um acordo de cooperação para viabilizar a instalação de uma usina solar fotovoltaica em Fernando de Noronha.

O projeto prevê a utilização de uma área total de 4,97 hectares para a montagem de mais de 31 mil painéis solares, como parte da estratégia de descarbonização da matriz energética do arquipélago.

A área destinada ao empreendimento é composta por 1,83 hectare sob gestão da Associação e 3,13 hectares já administrados pela Neoenergia. A articulação do território contou com a participação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Administração de Fernando de Noronha para garantir a segurança jurídica da operação.

Além da geração solar, a estrutura contará com um sistema de armazenamento por baterias para tentar estabilizar o fornecimento de energia na ilha.

Contrapartidas sociais e segurança hídrica

Como parte do acordo firmado entre a concessionária e os moradores locais, a Neoenergia assumiu compromissos de infraestrutura que impactam diretamente a produção agrícola da região. O cronograma de obras inclui:

  • Revitalização do açude da Ema, intervenção voltada para ampliar a segurança hídrica e alimentar dos produtores;
  • Reforma da casa de farinha, recuperação do espaço de processamento agrícola da comunidade;
  • Infraestrutura de irrigação, cercamento da área produtiva e reestruturação da rede elétrica dedicada ao bombeamento de água para as plantações.

A formalização ocorre após um protocolo de intenções assinado em agosto do ano passado, consolidando as obrigações entre as partes e os órgãos ambientais.

Cronograma e metas de descarbonização

A execução do projeto será dividida em duas etapas principais. A primeira fase tem previsão de entrada em operação no primeiro trimestre de 2026, enquanto a segunda etapa deve ser concluída até o final do ano.

O empreendimento foi licenciado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e terá o acompanhamento contínuo do ICMBio, responsável pela gestão das Unidades de Conservação Federais em Fernando de Noronha.

Caso as metas de geração sejam atingidas, o arquipélago pode reduzir drasticamente a dependência de combustíveis fósseis — atualmente utilizados em geradores térmicos — tornando-se uma referência em descarbonização em ilhas oceânicas habitadas na América Latina.

A iniciativa está inserida no programa governamental Mais por Noronha, com apoio dos ministérios federais e do governo de Pernambuco.

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