Recife lança Ação Inverno 2026 com investimento de R$ 381 milhões e inaugura novo Centro de Operações
Ação Inverno 2026 foca em obras na bacia do Tejipió e contenção de encostas; com inauguração de novas instalações, COP funcionará regularmente
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A Prefeitura do Recife lançou na manhã desta segunda-feira (23) a Ação Inverno 2026, com a previsão de R$ 381,8 milhões em investimentos para mitigar os impactos do período chuvoso na cidade.
O montante será destinado a intervenções de macrodrenagem, microdrenagem e proteção de encostas, concentrando esforços na bacia do Rio Tejipió. Paralelamente ao anúncio das obras, a gestão municipal inaugurou a nova sede do Centro de Operações do Recife (COP), que passa a funcionar regularmente 24 horas por dia.
As intervenções de infraestrutura visam reduzir alagamentos históricos em vias de grande fluxo da capital pernambucana, como as avenidas Recife, Abdias de Carvalho e Mascarenhas de Morais.
Segundo o prefeito João Campos, a prioridade técnica do plano recai sobre a Zona Oeste. "O ponto mais crítico de drenagem do Recife hoje é a bacia do Rio Tejipió, que pega boa parte da Zona Oeste, e os maiores investimentos anunciados são justamente para essa área", afirmou.
"O Tejipió é um rio que nasce e morre dentro do Recife, então não existe uma solução única; é o conjunto de ações que trará o impacto lá na frente", detalhou o vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Victor Marques, ressaltando a complexidade hidrográfica da região para justificar a variedade de projetos relacionados à mesma área.
A secretária de Projetos Especiais, Marília Dantas, destacou que as soluções adotadas nos projetos de macrodrenagem têm em vista avaliar o futuro. "Hoje, dimensionamos projetos pensando nas chuvas e marés do futuro”, afirma.
Principais obras da Ação Inverno 2026
A gestão detalhou as obras que devem ser realizadas neste ano para preparar a capital pernambucana para os períodos de chuvas intensas, que costumam se estender entre abril e julho anualmente.
- Avenida Abdias de Carvalho: construção de grandes reservatórios nos terrenos localizados sob as alças da BR-232. A primeira etapa, com orçamento de R$ 60 milhões, prevê uma capacidade de acumulação equivalente a 50 piscinas olímpicas.
- Avenida Mascarenhas de Morais: instalação de reservatórios de retenção de águas pluviais e válvulas do tipo "flap", projetadas para impedir o retorno da maré para as vias.
- Avenida Recife: construção de uma comporta com sistema de bombeamento, elevação de diques de contenção e a revitalização do canal localizado atrás do Hospital da Criança.
- Saída do Ibura: implantação de uma laje estaqueada na Avenida Dom Hélder Câmara, que engloba a elevação do nível da via e a construção de um reservatório subterrâneo para armazenar temporariamente a água da chuva, minimizando o acúmulo nas avenidas Dois Rios e Dom Hélder.
- Morros e encostas: execução de 68 grandes obras de contenção por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). A Defesa Civil aplicará 30 mil m² de geomantas em 40 pontos de risco e coordenará 1.200 intervenções do Programa Parceria.
Monitoramento integrado em tempo real
A segunda frente da Ação Inverno é de caráter operacional, marcada pela entrega das novas instalações do COP, situado na Rua do Brum, no Bairro do Recife. A estrutura interliga dados, sistemas de câmeras e equipes de 13 secretarias e órgãos municipais.
O objetivo é centralizar a tomada de decisões e coordenar a resposta a ocorrências emergenciais, como acidentes com rede elétrica, queda de árvores ou inundações.
Para o secretário de Ordem Pública e Segurança, Alexandre Rebêlo, a nova infraestrutura e a integração de dados representam uma evolução na governança de crises urbanas.
"A ideia é integrar tudo para que o COP aprenda com o passado e consiga antecipar as consequências de eventos futuros, como alagamentos e interdições de vias", argumentou.
O prefeito reforçou a mudança de paradigma na administração diária da cidade a partir da inauguração das novas instalações do centro.
"A grande diferença agora é que o COP não funcionará apenas em momentos críticos de chuva, mas na rotina da cidade, com uma gestão transversal intensa", concluiu João Campos.