Pernambuco | Notícia

Recife lança Ação Inverno 2026 com investimento de R$ 381 milhões e inaugura novo Centro de Operações

Ação Inverno 2026 foca em obras na bacia do Tejipió e contenção de encostas; com inauguração de novas instalações, COP funcionará regularmente

Por Maria Clara Trajano Publicado em 23/03/2026 às 15:19

Clique aqui e escute a matéria

A Prefeitura do Recife lançou na manhã desta segunda-feira (23) a Ação Inverno 2026, com a previsão de R$ 381,8 milhões em investimentos para mitigar os impactos do período chuvoso na cidade.

O montante será destinado a intervenções de macrodrenagem, microdrenagem e proteção de encostas, concentrando esforços na bacia do Rio Tejipió. Paralelamente ao anúncio das obras, a gestão municipal inaugurou a nova sede do Centro de Operações do Recife (COP), que passa a funcionar regularmente 24 horas por dia.

As intervenções de infraestrutura visam reduzir alagamentos históricos em vias de grande fluxo da capital pernambucana, como as avenidas Recife, Abdias de Carvalho e Mascarenhas de Morais.

Segundo o prefeito João Campos, a prioridade técnica do plano recai sobre a Zona Oeste. "O ponto mais crítico de drenagem do Recife hoje é a bacia do Rio Tejipió, que pega boa parte da Zona Oeste, e os maiores investimentos anunciados são justamente para essa área", afirmou.

JONAS QUIRINO/JC
João Campos em lançamento da Ação Inverno 2026 - JONAS QUIRINO/JC

"O Tejipió é um rio que nasce e morre dentro do Recife, então não existe uma solução única; é o conjunto de ações que trará o impacto lá na frente", detalhou o vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Victor Marques, ressaltando a complexidade hidrográfica da região para justificar a variedade de projetos relacionados à mesma área.

A secretária de Projetos Especiais, Marília Dantas, destacou que as soluções adotadas nos projetos de macrodrenagem têm em vista avaliar o futuro. "Hoje, dimensionamos projetos pensando nas chuvas e marés do futuro”, afirma.

Principais obras da Ação Inverno 2026

A gestão detalhou as obras que devem ser realizadas neste ano para preparar a capital pernambucana para os períodos de chuvas intensas, que costumam se estender entre abril e julho anualmente.

  • Avenida Abdias de Carvalho: construção de grandes reservatórios nos terrenos localizados sob as alças da BR-232. A primeira etapa, com orçamento de R$ 60 milhões, prevê uma capacidade de acumulação equivalente a 50 piscinas olímpicas.
  • Avenida Mascarenhas de Morais: instalação de reservatórios de retenção de águas pluviais e válvulas do tipo "flap", projetadas para impedir o retorno da maré para as vias.
  • Avenida Recife: construção de uma comporta com sistema de bombeamento, elevação de diques de contenção e a revitalização do canal localizado atrás do Hospital da Criança.
  • Saída do Ibura: implantação de uma laje estaqueada na Avenida Dom Hélder Câmara, que engloba a elevação do nível da via e a construção de um reservatório subterrâneo para armazenar temporariamente a água da chuva, minimizando o acúmulo nas avenidas Dois Rios e Dom Hélder.
  • Morros e encostas: execução de 68 grandes obras de contenção por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). A Defesa Civil aplicará 30 mil m² de geomantas em 40 pontos de risco e coordenará 1.200 intervenções do Programa Parceria.

Monitoramento integrado em tempo real

A segunda frente da Ação Inverno é de caráter operacional, marcada pela entrega das novas instalações do COP, situado na Rua do Brum, no Bairro do Recife. A estrutura interliga dados, sistemas de câmeras e equipes de 13 secretarias e órgãos municipais.

O objetivo é centralizar a tomada de decisões e coordenar a resposta a ocorrências emergenciais, como acidentes com rede elétrica, queda de árvores ou inundações.

Para o secretário de Ordem Pública e Segurança, Alexandre Rebêlo, a nova infraestrutura e a integração de dados representam uma evolução na governança de crises urbanas.

"A ideia é integrar tudo para que o COP aprenda com o passado e consiga antecipar as consequências de eventos futuros, como alagamentos e interdições de vias", argumentou.

O prefeito reforçou a mudança de paradigma na administração diária da cidade a partir da inauguração das novas instalações do centro.

"A grande diferença agora é que o COP não funcionará apenas em momentos críticos de chuva, mas na rotina da cidade, com uma gestão transversal intensa", concluiu João Campos.

Compartilhe

Tags