Padre Romeu Gusmão da Fonte morre aos 96 anos no Recife
Decano da Arquidiocese de Olinda e Recife, monsenhor teve mais de 70 anos de sacerdócio; velório terá missas ao longo da madrugada
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Morreu neste domingo (22), aos 96 anos, o monsenhor Romeu Gusmão da Fonte, decano da Arquidiocese de Olinda e Recife. Conhecido como Padre Romeu, ele faleceu às 16h20, segundo comunicado divulgado pela Igreja.
A informação foi confirmada pelo vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, no bairro da Torre, padre Marcelo Jr., que destacou o momento da morte em mensagem enviada à comunidade.
“Mons. Romeu fez a sua Páscoa às 16h20, ao canto da Salve Rainha”, afirmou.
Velório e despedida
A programação das despedidas foi divulgada na noite deste domingo. O velório será realizado na Igreja Matriz da Paróquia da Torre, no Recife, com missas celebradas a cada duas horas ao longo da madrugada e da manhã desta segunda-feira (23).
As celebrações estão previstas para 2h, 4h, 6h, 8h, 10h e 12h.
Às 15h, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, presidirá a missa de corpo presente e os ritos exequiais.
Em seguida, às 16h30, o corpo será conduzido em cortejo em carro aberto até o Cemitério Morada da Paz, onde haverá uma cerimônia de despedida reservada à família.
Às 18h, está prevista a última oração antes do início da cremação.
Trajetória marcada por décadas de serviço
Nascido em 13 de maio de 1929, Padre Romeu construiu uma das mais longevas trajetórias sacerdotais da Igreja em Pernambuco. Ele foi ordenado padre em 20 de junho de 1954 e, ao longo de mais de sete décadas de ministério, tornou-se uma das principais referências do clero local.
Após passagens por Afogados e pelo município de Paudalho, entre 1955 e 1958, assumiu a Paróquia da Torre ainda naquele ano. A partir de então, sua história se confundiu com a da própria comunidade, onde permaneceu por décadas exercendo funções pastorais.
Reconhecido como decano da Arquidiocese de Olinda e Recife, Padre Romeu manteve atuação próxima dos fiéis mesmo em idade avançada, sendo lembrado pela dedicação à liturgia, à pregação e ao acompanhamento espiritual de gerações.
Atuação social e reconhecimento
Além do trabalho religioso, o sacerdote teve papel ativo em iniciativas sociais no bairro da Torre. Entre as ações, participou da criação da Vila Santa Luzia e de um centro comunitário voltado ao atendimento da população local.
Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens pelo serviço prestado. Em 2005, foi nomeado monsenhor, no grau de Prelado de Honra de Sua Santidade. Em 2015, recebeu bênção apostólica do Papa Francisco pelos 60 anos de ordenação.
Nos últimos anos, também foi homenageado por instituições locais, incluindo a Câmara Municipal do Recife, em reconhecimento ao impacto de sua atuação pastoral.
Repercussão
O prefeito do Recife, João Campos, lamentou a morte do religioso e destacou sua importância para a cidade.
“Muito triste com a perda do padre Romeu, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, na Torre. Durante 70 dos seus 96 anos, foi o mais longevo e um dos mais queridos padres do Recife. Foram tantos e marcantes momentos compartilhados com a nossa cidade”, afirmou.
O gestor também prestou solidariedade à comunidade católica. “Deixo meus sentimentos aos seus familiares, fiéis e à comunidade assistida por ele. Tenho certeza de que está em um bom lugar ao lado de Deus”, completou.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também se manifestou e destacou a trajetória do sacerdote.
“Hoje nos despedimos de Monsenhor Romeu, o padre mais antigo em atividade da Arquidiocese de Olinda e Recife. Expresso meu profundo pesar a sua família, amigos e, em especial, aos paroquianos do bairro da Torre, seu lar pastoral por mais de seis décadas. Que Deus console a todos”, declarou.
Legado na Igreja de Pernambuco
Com mais de 70 anos de sacerdócio, Padre Romeu deixa um legado marcado pela simplicidade, proximidade com os fiéis e compromisso com a missão da Igreja.
Seu lema sacerdotal, “Animam pro ovibus” — expressão em latim que significa “a vida pelas ovelhas” — é frequentemente citado como síntese de sua trajetória.
A morte do religioso gerou comoção entre fiéis e membros da Arquidiocese, que destacam sua importância histórica e espiritual para a Igreja em Pernambuco.