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Projeto Galeria Reciclada inicia curso de arte e renda na Mangueira da Torre

Parceria entre Cepe, UFPE e associação comunitária capacita 20 mulheres para o empreendedorismo sustentável através da reciclagem de papel gráfico

Por Maria Clara Trajano Publicado em 17/03/2026 às 12:16

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Vinte moradoras da comunidade Mangueira da Torre, situada entre os bairros da Madalena e da Torre, no Recife, iniciaram nesta segunda-feira (16) uma formação voltada ao empreendedorismo sustentável.

O projeto Galeria Reciclada, iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), utiliza resíduos sólidos da indústria gráfica como matéria-prima para a criação de peças artesanais e geração de renda local.

As aulas semanais têm duração prevista de três meses e ocorrem na Biblioteca Comunitária da Mangueira da Torre. A ação é realizada em conjunto com a Associação dos Moradores e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O objetivo central é que os participantes dominem a técnica e passem a comercializar produções autorais.

Metodologia e reaproveitamento de materiais

A capacitação abrange todas as etapas de produção: desenho, estruturação, acabamento e pintura. O material utilizado provém do parque gráfico da Cepe, especificamente sobras de papel geradas por máquinas encadernadoras que, anteriormente, seriam descartadas.

Júlio Gonçalves, de 86 anos, coordenador e criador do projeto, explica a transição da iniciativa. “Nos últimos três anos, o Galeria Reciclada ganhou um novo impulso. Agora, é uma imensa satisfação podermos ampliar a atuação e começarmos o nosso lado de inclusão social”, afirma.

Na aula inaugural, o grupo composto integralmente por mulheres trabalhou na criação de figuras de peixes. Para as participantes, a oficina representa uma alternativa financeira em um contexto de vulnerabilidade.

“Acho valioso participar pois já temos a vida muito tumultuada. A gente vive se virando nos 30 pra dar conta. Então, podemos sair daqui para vender as peças em feirinhas, conhecer gente, conversar e desopilar”, afirma Maria Francisca da Silva Ramos (56), auxiliar de serviços gerais.

A fisioterapeuta Marcela Paixão (45), atualmente em licença-médica, conta: “Estou na fase das terapias e não quero ficar muito em casa. Preciso ocupar minha cabeça. E, quem sabe a gente possa aprender e vender os produtos. É tudo tão lindo, parece que é feito de barro, mas com as cores de uma aquarela muito vivas”.

Impacto social e preservação ambiental

Para a coordenação acadêmica do projeto, a iniciativa une a capacitação técnica à consciência ecológica. Siane Gois Cavalcanti Rodrigues, professora do Departamento de Letras da UFPE e coordenadora da biblioteca via extensão universitária, destaca a autonomia dos moradores.

“As pessoas terão a chance de se apropriar da arte e dominar uma técnica a partir da qual eles vão poder fazer movimentos autorais na produção de suas próprias peças. Depois, elas poderão incrementar a sua renda, e perceberem e refletirem sobre isso também, pois leva à preservação do meio ambiente, já que o material utilizado é reciclado. Então, é bom em todos os aspectos”, defende Siane.

Ao final do curso, as peças produzidas na Mangueira da Torre serão reunidas em uma exposição na UFPE. A Cepe planeja estender o modelo de inclusão produtiva para outras comunidades em situação de vulnerabilidade na Região Metropolitana do Recife.

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