63% dos moradores deixariam o Recife se pudessem, aponta pesquisa
Estudo do Instituto Cidades Sustentáveis revela que segurança é o maior problema para os recifenses; saúde e alagamentos também lideram queixas
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A segurança pública consolidou-se como o desafio mais urgente para quem vive no Recife. É o que revela a segunda edição da pesquisa "Viver em Recife: Qualidade de Vida", realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos, lançada nesta quinta-feira (12).
De acordo com o levantamento, 63% da população aponta a falta de segurança como o principal problema da capital pernambucana.
O estudo traça um raio-x das percepções dos cidadãos sobre bem-estar, infraestrutura e confiança nas instituições locais.
Saúde e infraestrutura em alerta
Logo atrás da segurança, o acesso à saúde pública segue como uma preocupação central, sendo citado por 26% dos entrevistados. O dado que mais evidencia a vulnerabilidade estrutural da cidade, no entanto, é o salto expressivo nas queixas sobre planejamento urbano básico.
As enchentes e inundações passaram a ocupar o terceiro lugar no ranking geral de problemas, mencionadas de forma direta por 24% dos recifenses. O índice representa um aumento considerável de 14 pontos percentuais em comparação com os números do levantamento do ano passado.
Qualidade de vida e o desejo de migrar
Apesar da clareza dos gargalos estruturais, a percepção da população sobre o próprio bem-estar na cidade apresenta estabilidade. Quando questionados sobre a variação da qualidade de vida nos últimos 12 meses, os cidadãos responderam da seguinte forma:
- Melhorou muito ou um pouco para 45% dos entrevistados.
- Permaneceu estável para 32% dos moradores.
- Piorou muito ou um pouco para 20% da população.
Ainda assim, essa estabilidade na avaliação de curto prazo contrasta frontalmente com o sentimento de falta de perspectiva a longo prazo.
O levantamento indica que 63% dos recifenses sairiam da cidade e se mudariam para outro local caso tivessem essa oportunidade. O número mostra uma leve retração em relação à pesquisa do ano anterior, quando 67% expressaram a mesma vontade.
Ceticismo e desinteresse pela vida política
O distanciamento entre a sociedade civil e a política local é outro fator mapeado pelo estudo. A maioria absoluta da população (60%) afirma não ter nenhuma vontade de participar da vida política do Recife. Apenas 22% manifestam alguma vontade de se envolver no tema, enquanto a parcela que tem muita vontade representa apenas 12%.
A avaliação do Poder Legislativo reflete esse cenário de afastamento e ceticismo da população. A pesquisa mediu a avaliação do trabalho da Câmara Municipal, revelando que:
- Apenas 12% consideram a atuação dos vereadores como ótima ou boa;
- A maior fatia, correspondente a 42%, avalia a Casa como regular;
- Um total de 37% dos recifenses classifica o desempenho do legislativo municipal como ruim ou péssimo.
A pesquisa "Viver em Recife" realizou 300 entrevistas com moradores de 16 anos ou mais, que residem na capital há pelo menos dois anos. O período de coleta ocorreu entre 1º e 27 de dezembro de 2025, com margem de erro de 6 pontos percentuais para mais ou para menos.