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Confusão em Porto de Galinhas: dona de barraca contesta versão dos turistas e diz que garçom foi agredido primeiro

No sábado (27), um casal de turistas foi agredido na praia de Porto de Galinhas após se recusar a pagar o valor do aluguel de uma barraca

Por Anaís Coelho Publicado em 29/12/2025 às 16:12 | Atualizado em 29/12/2025 às 17:43

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Uma confusão durante o fim de semana em Porto de Galinhas tem gerado repercussão nacional. Turistas alegam ter sido agredidos por barraqueiros na praia; o motivo teria sido o valor do aluguel das cadeiras. O caso é investigado e pelo menos 14 pessoas foram intimadas.

Imagens que repercutiram nas redes sociais mostram o momento que os turistas tentam se proteger num carro de bombeiros, enquanto várias pessoas tentam agredi-los.

Versão das vítimas

No último sábado (27), o casal teria feito um acordo com um guia de turismo, que ofereceu a barraca cobrando R$ 50 pelo aluguel das duas cadeiras e pelo guarda-sol, caso eles não consumissem nada.

Johnny Andrade Barbosa e Claiton Zanatta, vindos de Cuiabá (MT), estavam curtindo a praia quando foram abordados por vários barraqueiros dizendo que eles iriam precisar pagar R$ 80. Após eles questionarem o valor, a confusão começou.

Segundo Johnny, o casal não se negou a pagar, apenas pediram para pagar o valor inicial que havia sido acordado.

“A gente não se negou pagar nada para eles, a gente somente queria ter pago o valor que previamente tinha sido combinado. E aí no final das contas eles queriam cobrar um valor um pouco mais abusivo, eu apenas questionei”, relata.

Johnny foi agredido com socos, pontapés e até teve uma cadeira jogada em sua direção. “Eu falei que não ia pagar, aí ele já pegou a cadeira e arremessou em mim, eu tentei me defender e nesse momento levei uma pancada na cabeça, caí no chão. No que eu caí, já senti que tinha pelo menos 15/20 em minha volta me batendo.”

Os turistas conseguiram fugir e pediram ajuda de bombeiros que estavam próximos ao local. Eles precisaram subir na caminhonete para se proteger das agressões.

Versão da dona da barraca

A responsável pela barraca, identificada como dona Maura, contou à TV Jornal que o casal disse que não iria consumir e que iria apenas pagar pelo aluguel das cadeiras.

Ela explicou aos dois que cada cadeira custava R$ 20 e que o guarda-sol também custava esse valor. Segundo Maura, eles usaram três cadeiras e o guarda-sol, no valor total de R$ 80.

A dona da barraca também diz que os turistas tiraram as mesas que eram colocadas na frente de onde eles estavam.

“Resumindo, ele não queria ninguém na frente dele, a gente perdeu na faixa de 5 clientes por causa dele. Ele queria ficar exclusivo, na frente do mar. Até que eu chamei um garçom pra mandar ele embora, ele disse ‘daqui eu não saio, daqui ninguém me tira’.”

Segundo dona Maura, a primeira agressão partiu do casal. No momento de pagar o aluguel das cadeiras, o qual, segundo ela, eles haviam concordado com o valor, se recusaram a realizar o pagamento e ao serem questionados, agrediram o garçom.

“Quando eu botei o cardápio na frente dele, ele deu uma tapa que pegou em mim e pegou no cardápio, aí foi quando eu dei um empurrão nele, ele pegou e me agrediu, deu um mata leão”, explicou o garçom que sofreu a agressão.

No cardápio está escrito que, caso não haja consumo de petiscos, será cobrado o aluguel das cadeiras e do guarda-sol, cada um custando R$ 20. Além disso, o garçom diz que explicou para o casal como funcionava o aluguel.

Investigação 

Segundo a Delegada-Geral Adjunta da PCPE, Beatriz Leite, o primeiro crime percebido na ação foi o de lesão corporal, porém com o decorrer da investigação, pode-se observar algum tipo de crime específico do Código do Consumidor, dependendo de como as informações foram apresentadas na barraca.

“O delegado vai poder, analisando toda a legislação, ver se houve algum crime do Código do Consumidor, além de lesão corporal ou extorsão, a depender de como esses depoimentos vão se discorrendo.”, comentou. Até a publicação desta matéria, 14 pessoas tinham sido identificadas e serão indiciadas pelo crime de lesão corporal.

Diante do ocorrido, a Prefeitura de Ipojuca suspendeu temporariamente as atividades da barraca envolvida no caso pelo prazo de uma semana. 

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