Comunidade do Recife tem iniciativa destacada pelo Greenpeace Brasil em publicação lançada na COP30
Vila Arraes, na Zona Oeste da cidade, elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas
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A comunidade de Vila Arraes, na Zona Oeste do Recife, está representando o país em nota técnica lançada pelo Greenpeace Brasil sobre exemplos de adaptação climática comunitária.
O documento foi lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, e apresenta ações de adaptação comunitária realizadas em cinco países do Sul Global que geraram resultados concretos de combate à crise climática.
Além de Recife, o Rio de Janeiro representa o Brasil no documento, que também mostra iniciativas realizadas na Indonésia, Quênia, México e Filipinas.
Localizada em uma das capitais com mais pessoas vivendo em áreas de risco do Brasil, a Vila Arraes elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas. A iniciativa é coordenada pelo Espaço GRIS Solidário em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A comunidade estruturou brigadas de resposta com atuação em logística, saúde mental e preventiva, comunicação e gestão de crises, além de promover formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe e riscos de eletrocussão.
Para Leilane Reis, coordenadora da frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, ainda falta reconhecimento político e apoio para transformar as respostas locais em políticas públicas estruturantes.
“A adaptação climática só é possível quando se tem uma escuta ativa das pessoas que estão ali presentes e nessa luta em razão da ausência de financiamento para as iniciativas locais. Há uma grande ausência do olhar do poder público para essas iniciativas e comunidades”, afirmou.
O Greenpeace Brasil reforça, ainda, que o país coloque as comunidades no centro das políticas e dos recursos climáticos e garantindo acesso direto a financiamento, participação real e indicadores que promovam justiça climática e social.
Vulnerabilidade em Pernambuco
Mais de 860 mil pessoas vivem em áreas de risco em todo o território pernambucano - cerca de 11,6% da população.
De acordo com um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), dos 185 municípios, mais da metade é classificada como mais suscetíveis a desastres associados a deslizamentos, enxurradas e inundações. Apenas 7 deles foram considerados com alta capacidade de gerenciar os riscos: Recife, Carpina, Toritama, Solidão, Salgadinho, Triunfo e Itapissuma.
No estado, as fortes chuvas anunciam transtornos e, muitas vezes, tragédias. Ao longo de 33 anos, foram contabilizadas mais 3 mil ocorrências, 291 óbitos, mais de 19 milhões de pessoas afetadas e cerca de 545 mil desabrigadas e desalojadas.