Editorial | Notícia

Brasileiros, juntos, sigamos

Identidade nacional compartilhada é o melhor da torcida que nos une, não apenas na vitória, mas também na derrota que entristece e desilude

Por JC Publicado em 06/07/2026 às 0:00

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Assim como o gol se traduz no coro que ressoa feito uma só voz, no timbre de uma nação que se vê no espelho de um campo de futebol, refletida em 11 semblantes que carregam nas pernas a população inteira – assim as lágrimas de desilusão ou de alívio incorporam o sal de choro único, da emoção compartilhada entre irmãos de nacionalidade. Somos todos brasileiros e dividimos a brasilidade, multiplicando-a na torcida pela vitória do dia, que na Copa do Mundo de futebol masculino é necessidade para ir adiante, seguir suspirando pelo título da vez, o hexacampeonato desejado coletivamente há mais de 20 anos, após o penta em 2002.
Sentimento coeso e orgulhoso, o ufanismo de quem torce destoa do segregacionismo imposto nas campanhas eleitorais, difícil de ser minimizado no comportamento que mimetiza o divisionismo de polarizações ideológicas convenientes para os que detêm ou almejam o poder. Se, na Copa, nem parece ano eleitoral, nas eleições, nem parece que teve Copa: o fosso retorna, trazendo junto a intolerância, a desconfiança, semeando a discórdia e o estranhamento até no âmbito das famílias. Curiosa e melancólica inversão emocional: enquanto somos torcedores unificados pela paixão nacional, não vislumbramos diferenças, tapamos as desavenças entre nós; e na disputa radical pelo voto, somos mais que divergentes, chegamos a ser excludentes, não admitimos a preferência do outro sequer dentro de casa.
É complicado consolar um povo inteiro desconsolado, depois de uma derrota como a deste domingo para a Noruega, ainda nas oitavas de final da Copa de 2026. Mas as lições, desta vez, são acompanhadas de pelo menos uma constatação, e uma repetição. A seleção brasileira esteve longe de outros conjuntos consagrados de craques conhecidos de cor pelos torcedores, e em nenhum jogo produziu exibição de saltar os olhos, seja pela arte da bola, seja pelo resultado convincente. E a repetição denuncia uma evidência: desde 2006, a canarinha cai para uma equipe europeia em fase eliminatória, seguidamente, em todas as edições de copa do mundo. A Noruega foi mais um algoz, em roteiro que permanece, para o desespero dos brasileiros.
A seleção pode ser apenas um pedaço do problema no futebol nacional, que em confronto com a organização e a excelência do futebol europeu, tem sucumbido sem apelações. Ao invés de se aprender com os erros, o futebol da seleção parece se afundar nos mesmos equívocos. Mas podemos tentar aprender com os erros fora de campo, pelo menos, deixando as questões da bola para os cartolas.
A unidade da torcida revela um país que sabe ser uníssono, forte, focado numa direção coletiva. O desapontamento pela eliminação não precisa ser, de novo, fagulha para o afastamento impulsionado pela política eleitoral. Podemos compreender a identidade celebrada na vitória como semelhante àquela fustigada pela dor da frustração. E seguir acreditando no Brasil, para além dos pênaltis perdidos e dos gols sofridos, mobilizando a capacidade de transformação, sem divisionismos, a fim de fazer um país melhor.

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