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Editorial JC: Atraso na gestão pública

No primeiro episódio de série para o JC Negócios Entrevista, Cláudio Marinho apontou defasagem na compreensão da IA pelo poder público no Brasil

Por JC Publicado em 08/06/2026 às 0:00 | Atualizado em 08/06/2026 às 6:28

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Em artigo para o JC em abril, o presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, João Carlos Paes Mendonça, expressou a preocupação, que é de muitos, a respeito da ameaça social representada pelo avanço da utilização da Inteligência Artificial (IA) em diversas áreas de atuação profissional.

“Para evitar um problema social com a perda de espaço no mercado de trabalho para funções rotineiras e previsíveis, é preciso agir urgentemente, com um plano de Estado competente, consistente, contínuo e sem contaminações dessa ou daquela corrente política”, escreveu, mencionando estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) segundo o qual um em cada quatro postos de trabalhos serão impactados pela IA. Além disso, com menos de um terço dos brasileiros com habilidades digitais, o desafio se torna ainda maior.

Sob a inspiração e a provocação do texto, o programa JC Negócios Entrevista, mediado pelo colunista Fernando Castilho e com a participação do jornalista Laurindo Ferreira, deu início a uma série especial, com gestores da iniciativa pública e privada, para discutir os desafios que envolvem a IA e a empregabilidade. O convidado de estreia foi o engenheiro, consultor e cofundador do Porto Digital, Cláudio Marinho, uma das referências pioneiras da tecnologia da informação em Pernambuco. Para Marinho, em relação à iniciativa privada, a gestão pública no país é retardatária na formação de uma estrutura capaz de lidar com as mudanças geradas pela IA no mercado de trabalho.

Sem política pública direcionada aos impactos da IA, como parte de um plano de desenvolvimento, o risco é o Brasil correr para a regulamentação antes mesmo de buscar entender os efeitos da tecnologia sobre a vida das pessoas. A defasagem entre a realidade e a esfera pública tem um exemplo na educação, mencionado por Cláudio Marinho: enquanto 70% dos estudantes de ensino médio já usam ferramentas de IA, inclusive para as tarefas escolares, menos de um terço diz ter recebido qualquer orientação dos professores para a aplicação da IA.

Esse desnível é sintomático de um atraso que pode custar caro, não ao governo, mas à sociedade, emperrando e abrindo espaço para desvios no processo de incorporação da inovação tecnológica ao alcance dos dedos. Para Marinho, é preciso haver uma estratégia acadêmica para capacitar quem deve orientar os jovens, ou seja, na gestão escolar que prepara os professores para prepararem estudantes que já dispõe da IA no cotidiano.

O ideal seria um planejamento nacional de longo prazo, atravessando períodos de governos, abrangendo letramento, capacitação e investimentos necessários para garantir a transição adequada nas atividades profissionais. Se a visão dos líderes e gestores públicos for nessa direção, o país tem tudo para se destacar em uma nova etapa de desenvolvimento. Mas é importante não abandonar as lições do passado, como recorda João Carlos Paes Mendonça: “Já superamos grandes desafios a partir da decisão de encará-los, ao contrário de só assistirmos”. Se os governos apenas ficarem assistindo à invasão da IA, o risco social será mesmo alto.

A entrevista com Cláudio Marinho está disponível no canal do JC Play, no YouTube.

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