Editorial JC: Maior crescimento do país
Em prévia do PIB no primeiro trimestre, o estado apresentou alta superior a 8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Banco Central
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Com participação de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a economia pernambucana percorre trajeto de recuperação nos últimos anos, precisando crescer mais do que outros estados nordestinos, e se possível, acima da média nacional, como já aconteceu em anos anteriores. A restauração de um ritmo sustentável de alto crescimento – para os nossos padrões – pode gerar um ciclo de expansão das atividades econômicas, com benefícios locais de dinamismo, criação de postos formais de trabalho e aumento da renda familiar, proporcionando a melhoria da qualidade de vida da população.
O Banco Central divulgou o Índice de Atividade Econômica Regional do primeiro trimestre, com destaque para o desempenho de Pernambuco na liderança do ranking nacional. O índice é uma espécie de prévia do PIB, servindo tanto como termômetro das performances regionais, quanto como instrumento para direcionamento de políticas públicas e investimentos. De janeiro a março, a economia pernambucana revelou variação positiva de 8,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, com a indústria de transformação crescendo quase 30% no período, e o comércio varejista, quase 13%.
Os números refletem uma tendência promissora que vem desde 2024, e o desafio é manter os patamares registrados para consolidar um desenvolvimento diferenciado capaz de atrair investidores, acelerar o aperfeiçoamento e ampliação da infraestrutura, oferecer oportunidades de emprego qualificado com melhores salários, e desencadear um efeito dominó sobre setores diversos, disseminando o bem-estar como resultado esperado.
Os dados sobre Pernambuco são relevantes, na medida em que se verifica redução do ritmo de crescimento, na média nacional, este ano, que aponta para uma desaceleração da economia. Essa expectativa tende a se acentuar no segundo semestre, quando as eleições para presidente da República e governos estaduais, além de parlamentares para o Congresso e as assembleias dos estados, podem fazer com que o clima de incerteza segure investimentos. Daqui para lá, no entanto, o aquecimento no mercado de trabalho deve continuar, ou ficar estável, sem abalar a confiança dos empresários nos negócios.
Resta saber como fatores de dimensão nacional, como a inflação e as próprias eleições, e fatores globais, como a crise no Oriente Médio sobre o fornecimento de petróleo, e até os efeitos climáticos do El Niño, irão interferir nos rumos da recuperação da economia pernambucana nos próximos meses, sem comprometer o fechamento de mais um ano com desempenho positivo acima da média do Nordeste e do Brasil. É importante que as políticas públicas de atração de negócios, abertura de oportunidades e ampliação estrutural tenham prosseguimento, e até sejam turbinadas, a fim de preservar o passo na direção atual da expansão da economia.
A boa nova do trimestre inicial de 2026 é um ativo para captação do entusiasmo do empresariado, e ainda, faz com que as demandas coletivas sejam ainda mais cobradas do governo estadual, com a economia em ascensão. No contexto de uma conjuntura instável com ameaças internas e externas, o cenário em Pernambuco descortina a chance de fortalecimento das bases de um crescimento duradouro e transformador.