Editorial | Notícia

Investimentos para transformar

Período contínuo de aportes de recursos privados na região central do Recife mostra o potencial de mudanças na cidade e na realidade da população

Por JC Publicado em 18/05/2026 às 0:00

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A partir de várias experiências bem-sucedidas no mundo, e também no Brasil, costuma-se ressaltar a importância dos investimentos privados na concessão de serviços públicos, como a gestão do transporte de passageiros, da geração e distribuição da energia elétrica, na construção e manutenção de rodovias e parques, por exemplo. Entre as vantagens apontadas, está o aporte maciço de recursos indisponíveis para os governos no momento necessário, a eficiência da aplicação do dinheiro e o nível de inovação que pode ser conquistado, graças aos investimentos.
Muitas vezes se esquece, no entanto, o valor da iniciativa privada na formação e desenvolvimento das cidades. Numa cidade como o Recife, com origens que remontam às atividades dos comerciantes portugueses conhecidos como “mascates”, sobretudo na área portuária, é preciso manter o valor histórico merecido que deve ser conferido aos investimentos empresariais que sustentaram a ascensão e a emancipação da capital, bem como a evolução que levou a um dos principais polos urbanos do país. Tão importante quanto o planejamento público que veio depois, foram os negócios prosperados na população recifense que fizeram florescer e se disseminar os frutos do centro econômico da capital pernambucana.
Exatamente no entorno da antiga região portuária, o Recife atual experimenta o que se pode considerar um novo marco zero de investimentos privados, que pode significar um salto de desenvolvimento – que ao mesmo tempo representaria o resgate, ou restauração, da eferverscência daquela área, muitos anos atrás. Há décadas que se vê a decadência na área, sem que sucessivos governos tenham obtido êxito em projetos de revitalização. Mas como o JC abordou na edição de domingo, a iniciativa privada pode estar de novo fazendo a diferença no impulsionamento da cidade e da qualidade de vida de seus habitantes.
O esvaziamento do Bairro do Recife doía fundo nos pernambucanos. A renovação de cerca de 220 mil metros quadrados de imóveis teve início na virada do ano 2000, com duas instalações marcantes para a história contemporânea da capital: a inauguração da nova Praça do Marco Zero, reunindo na paisagem as obras de duas estrelas da arte brasileira de Pernambuco – Cícero Dias e Francisco Brennand – e a criação do Porto Digital, que acelerou a chegada do futuro conectando-o com o ar do passado pujante do lugar.
Hoje, mais de 500 empresas de tecnologia empregam 24 mil pessoas que, junto com clientes, turistas e a população, frequentam diariamente mais de uma centena de equipamentos ligados à gastronomia, ao lazer e à cultura, no Recife Antigo. O setor público compreendeu a ativação gerada pela iniciativa privada, e passou a planejar e investir na região de modo diferente, e com muito mais segurança, já que a semente da transformação cresceu, graças aos sonhos que viraram realidade financiados pela iniciativa privada. A capital pernambucana continua sendo um bolsão de contradições e desigualdades, mas o caso da área histórica central do Recife, que deve se regenerar muito mais, inclusive, com aporte de recursos públicos nos próximos anos, é uma prova da mudança e do potencial de benefício coletivo associado à capacidade empreendedora.

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