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Editorial JC: Nordeste continua atrás

Sem políticas efetivas de incentivo e visão de desenvolvimento regional, os nordestinos permanecem com menos oportunidades e menor renda

Por JC Publicado em 10/05/2026 às 0:00 | Atualizado em 12/05/2026 às 7:01

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Com milhões de pessoas na dependência de recursos públicos, através de programas sociais, pensão e aposentadoria, a região Nordeste segue como um dos focos da persistente desigualdade brasileira. Como analisou o colunista do JC, Fernando Castilho, o menor crescimento de renda para os nordestinos, revelado pelo IBGE, é sinal de que a distância para as regiões mais ricas, o Sul e o Sudeste, não tem sido reduzida nos últimos anos. Pelo contrário, sem um planejamento efetivo e duradouro nessa direção, a desigualdade pode até se acentuar.

Apesar de o rendimento médio mensal dos brasileiros ter aumentado, o valor da renda dos nordestinos não acompanha o crescimento do país. Como ressalta Castilho, “mesmo quando o país cresce, a região cresce menos e, portanto, vai ficando mais para trás na hora que um trabalhador leva dinheiro para casa”. A distribuição da riqueza mantém a alarga a discrepância, ampliando o arco do Brasil desigual, penalizando os nordestinos. Após décadas de discursos inclusivos e contra a desigualdade, a realidade não mudou, e pode estar piorando, se não for alterada a rota do desenvolvimento nacional para corrigir distorções históricas perpetuadas.

Remédio emergencial para combater a miséria, o Programa Bolsa Família não pode ser visto como solução duradoura, e muito menos como fator de redução da desigualdade estrutural em que estamos afundados. O colunista do JC observa: “O rendimento per capita nos domicílios que recebiam Bolsa Família foi de R$ 774, o que corresponde a menos de 30% do rendimento médio daqueles que não recebiam tal benefício”, lembrando o alto percentual de nordestinos no programa. O desafio dos números está lançado desde já, para um futuro que se complica com o envelhecimento da população: “Quando se junta o fato de o Brasil ter 13,8% de sua população tendo como renda aposentadoria e pensões e que 9,1% dependem da renda de programas sociais, temos 22,9% da população sobrevivendo à custa dos contribuintes. O bônus etário está terminando sem que a população tenha conseguido uma renda maior para gozar a aposentadoria”, alerta.

A dependência dos recursos de benefícios sociais é parte de um panorama de déficits que englobam a infraestrutura de serviços básicos e, em muitos casos, a baixa atratividade da região para investimentos, em comparação a regiões mais ricas e dotadas de infraestrutura, por exemplo, de transporte coletivo e rodoviário. Sem um planejamento adequado e efetivo ao longo das décadas, o passivo do subdesenvolvimento – palavra fora de moda, mas na prática, vigente – apenas se acumula para o povo do Nordeste, junto com as populações do Norte. Será difícil reverter essa diferença enquanto não se assumir a necessidade de políticas diferenciadas de desenvolvimento, a fim de fazer a economia e a qualidade de vida dos nordestinos saírem da posição retardatária na qual se encontram há tantos anos, sem perspectiva de mudança.

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