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Editorial JC: Protestos e reflexões nas ruas

Disputas que ensaiam a campanha eleitoral passam por cima do debate transparente sobre as consequências da redução da jornada de trabalho

Por JC Publicado em 01/05/2026 às 0:00 | Atualizado em 04/05/2026 às 6:57

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O Dia do Trabalho encontra o Brasil em clima quente na política, este ano. As disputas entre os poderes, especialmente entre o Congresso e o governo Lula, antecipam a campanha para as eleições de outubro. Isso pode fazer com que as manifestações programadas para esta sexta-feira levem milhares de pessoas às ruas, para defender pautas que ainda precisam de aprofundamento no debate. Mas infelizmente o que deve predominar é a velha palavra de ordem no coro de lados opostos, mais interessados na performance em busca dos votos do que no esclarecimento de temas complexos, como a discussão acerca da escala da jornada de trabalho no país.

A redução da jornada sem a proporcional revisão salarial configura reivindicação, no mínimo, polêmica, sem apresentar argumentos embasados nem soluções que compensem o impacto de tal medida na economia. E não se trata de impacto pontual. Uma vez encolhida a jornada, com os salários mantidos, haverá novos custos para os empregadores obterem os mesmos resultados - e para os consumidores de bens e serviços também. A consequência óbvia é o aumento dos preços para o consumo, e possíveis fechamentos, com redução de empregos. Ou seja, o fim da jornada 6 x 1 pode trazer mais desemprego e até elevar a inflação.

A bandeira política pode parecer favorável ao trabalhador. Mas um olhar detido sobre a questão levanta reflexões incontornáveis. Na prática, haveria aumento do custo da hora trabalhada, sem a contrapartida do ganho de produtividade. Se pararmos para observar os efeitos da Inteligência Artificial sobre o mercado de trabalho, podemos enxergar na medida reivindicada um atalho para a substituição de mão de obra pela IA, onde a pressão do custo do trabalho puder ser diminuída dessa foma. E certamente não é o que desejam os defensores da mudança na escala.

O aumento da informalidade é outra consequência esperada de uma eventual redução da jornada. Sem que as empresas consigam atuar na escala reduzida, a estimativa inicial é que pelo menos 1 milhão de vagas formais sejam fechadas nos primeiros meses de vigência da mudança. É preciso acrescentar a essa perspectiva os empregos que deixariam de ser abertos, empurrando muita gente para a informalidade. Além disso, investimentos que seriam realizados em formação e contratação de pessoal tendem a ser suspensos, até que o novo cenário econômico se estabilize.

Neste 1º de maio, é de se lamentar que, mais uma vez, o horizonte do desenvolvimento nacional seja estreitado pelo calendário eleitoral, impedindo que todos os benefícios e prejuízos de alterações estruturais no mercado de trabalho sejam conduzidos por um debate equilibrado em busca de consensos. Como de praxe, o assunto pode ser resolvido às pressas, na velocidade dos palanques, e voltar a ser examinado com mais clareza no início do próximo governo, seja quem for merecedor da vitória nas urnas.

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