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Editorial JC: Protagonismo em energia

Com o Nordeste despontando em produção de energia limpa, o estado pode ser um polo de combustíveis de baixo carbono para o mercado nacional

Por JC Publicado em 29/03/2026 às 0:00 | Atualizado em 30/03/2026 às 7:08

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O Nordeste já é responsável por 90% da produção nacional de energia renovável. A informação foi mencionada pelo superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, durante o 1º Workshop de Inovação Aberta, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na última sexta-feira.

A capacidade instalada de produção de energia eólica e solar é mais que o triplo da potência da usina de Itaipu. Ou seja, a energia limpa é cada vez mais um ativo econômico de grande relevância para os nordestinos. E quanto mais os estados investirem para fazer parte dessa agenda, inserindo-se no atendimento a uma demanda nacional que tende a crescer, mais o desenvolvimento baseado na sustentabilidade tende a dar frutos de ganhos econômicos e sociais.

Não é à toa que a China lidera com folga a capacidade instalada e a produção de tecnologia para geração de energia eólica e solar no planeta. Com mais que o triplo da capacidade dos Estados Unidos, num ranking em que o Brasil aparece em quinto lugar, a energia do vento é uma das opções limpas que surge no horizonte das economias emergentes.

Até a geração de energia acima das nuvens vem sendo cogitada pelos chineses como alternativa com viabilidade econômica. A participação do Nordeste brasileiro neste cenário é crucial para que o país se destaque no mercado de energia limpa – e na direção de superação dos desequilíbrios regionais, uma vez que os estados nordestinos, como Pernambuco, encontrem seu lugar consolidado de protagonismo.

Os benefícios se estendem às populações locais, sobretudo no que diz respeito às oportunidades abertas. De acordo com a Sudene, os municípios que abrigam parques eólicos têm registrado um salto superior a 23% na criação de empregos formais, com um crescimento médio próximo a 20% mesmo na implantação dos projetos.

Alinhar o investimento industrial aos ganhos para a sociedade é um dos desafios assumidos pela Sudene, na articulação necessária entre o setor privado e os governos, a fim de que a soma de esforços resulte em efeitos positivos para todos. Afinal, o protagonismo dos estados deve ser o protagonismo do povo nordestino, no vislumbre de uma civilização global calibrada pelo desenvolvimento sustentável, não mais dependente do petróleo.

Em Pernambuco, o que se descortina mostra a potencialidade em combustíveis de baixo carbono, com 277 empreendimentos de geração de energia, totalizando 9,4 gigawatts. No Agreste fica o polo eólico, e no Sertão, a geração solar. O etanol, o biogás e o hidrogênio verde completam o leque pernambucano de alternativas energéticas para um futuro que já se iniciou.

Se a crise do petróleo devido à guerra no Oriente Médio persistir, a transição energética pode ser acelerada em caráter emergencial, requisitando investimento turbinado e redirecionamento dos países num mercado de escassez de energia. Seja num cenário de crise acentuada, ou no planejamento de médio e longo prazos dentro de estratégia consistente de desenvolvimento, o Brasil aposta no Nordeste, e o Nordeste espera de Pernambuco uma participação relevante na economia da sustentabilidade.

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