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Editorial JC: Guerra do petróleo?

Bloqueio no Estreito de Ormuz e ataques iranianos fazem o conflito na região escalar para um plano econômico – da energia no mercado global

Por JC Publicado em 13/03/2026 às 0:00 | Atualizado em 16/03/2026 às 8:37

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A imagem óbvia de um barril de pólvora prestes a explodir está bem próxima da realidade atual no Oriente Médio. Graças aos ataques iniciados por Israel e pelos Estados Unidos ao Irã, que levaram à represália dos iranianos em vários países da região, a infraestrutura de produção e logística do petróleo está sob séria ameaça, pondo em risco o fornecimento para a Ásia, inclusive para a China e a Índia.

Enquanto se cogita o grau de colaboração – estratégico ou material – da Rússia de Vladimir Putin ao regime dos aiatolás, o sequestro dos navios impedidos de circular no Estreito de Ormuz tem como consequência imediata o aumento do preço do barril, e uma enorme incerteza sobre o horizonte econômico global. Como se já não bastasse a falta de clareza sobre os objetivos da guerra, e a tensão crescente com a sua imprevisibilidade.

Embora o presidente dos EUA insista em afirmar que já poderia declarar vitória desde o primeiro dia, a verdade é que o conflito vai entrar na terceira semana em perigoso mecanismo inercial de gastos militares, desordem política e desestabilização da economia. Os bombardeios prosseguem e se intensificam de parte a parte.

E se os mísseis de Netanyahu e Trump continuarem a cair sobre a estrutura energética do Irã, a promessa de revide é ampliar o caos no mercado de petróleo e gás. Uma conta que pode não assustar os donos da guerra, mas tem tudo para causar problemas políticos, especialmente a Trump, caso a desarrumação no mercado chegue ao cotidiano da população norte-americana.

Em comunicado oficial, a Agência Internacional de Energia qualificou o atual momento como “a maior disrupção da história no mercado global de petróleo”. A cena de um navio cargueiro de bandeira tailandesa, sendo consumido pelas chamas no Estreito de Ormuz, serviu para ilustrar a gravidade dos fatos que tanto Netanyahu quanto Trump se esforçam para ignorar.

O Irã alertou que poderá colocar minas marítimas no estreito e em outros locais, o que paralisaria pelo menos um quinto do fluxo internacional de navios petrolíferos. A produção já está sendo reduzida no Golfo Pérsico, porque o escoamento está impossibilitado. “Preparem-se para o barril de petróleo a 200 dólares. O preço depende do nível de segurança na região e a fonte dessa insegurança são vocês”, ameaçam os iranianos. O preço ultrapassou os 120 dólares nos últimos dias.

A Agência Internacional de Energia divulgou que irá liberar 400 milhões de barris do estoque de emergência para tentar diminuir os efeitos da crise em rápida evolução. Trata-se da maior providência desse tipo já tomada pela entidade, o que dá a dimensão do que se desenrola na região. O cabo-de-guerra pelo petróleo pode representar o início do fim do conflito, caso a economia prevaleça sobre a política. Mas também pode precipitar novos e piores desentendimentos, na hipótese largamente temida de envolvimento explícito dos russos e dos chineses nessa tragédia que se aprofunda.

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