Editorial JC: Porque o Carnaval importa
Deixar esse grandioso patrimônio longe das disputas políticas é o desafio desse país como sociedade e nação
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O Carnaval brasileiro, em especial o de Pernambuco, é um pilar central da identidade nacional e pode ser visto - como de fato o é - um motor de crescimento econômico. A extraordinária diversidade cultural do país revela-se em festas que se alastram por praticamente todo território nacional, cada qual com seus ritmos linguagens, fantasias.
Em cada canto, por variadas razões, são festas que atraem turistas, movimentam negócios, criam empregos, fortalecem a indústria nacional e reforça nossas identidades culturais. Só no Recife, segundo informações divulgadas pela Prefeitura, a festa deste ano teria movimentado cerca de R$ 2,8 bilhões e gerado 60 mil empregos diretos, com a ocupação hoteleira chegando a 97%, além de um amento de 8% na movimentação do aeroporto em relação ao ano passado.
O Carnaval brasileiro, reconhecido com muita justiça pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial, serve, ainda, como espaço de memória e resistência para as camadas populares, especialmente as de matriz africana. A festa molda a música, a moda e as artes visuais, refletindo a criatividade e o senso de pertencimento do povo. Em Pernambuco, terra da diversidade, isso fica muito evidente na espontaneidade da celebração e é esse um dos nossos grandes diferenciais.
Mesmo em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, os desfiles das tradicionais escolas de samba são também espaços para manifestações populares e culturais. Ali são expostos rituais históricos que mobilizam comunidades periféricas, geram integração, identidade, emprego e renda, como acontece no resto do país. No país, de uma maneira geral, a estimativa é a movimentação de pelo R$ 18,6 bilhões na economia nacional, segundo o Ministério do Turismo.
A festividade impulsiona a criação de milhares de vagas temporárias e fixas em setores como hotelaria, gastronomia e serviços. Atrai recordes de visitantes estrangeiros (estimado em 1,42 milhão em 2026) e garante um incremento de até 30% no faturamento de pequenos comerciantes e ambulantes. Fortalece , portanto, a chamada "economia criativa", beneficiando desde artesãos e costureiras até grandes redes hoteleiras e empresas de eventos.
Deixar todo esse grandioso patrimônio longe das disputas políticas é o desafio desse país como nação, sociedade e República. Porque se temos um evento capaz de aglutinar pessoas, culturas e crenças, este evento é o nosso Carnaval. Jogá-lo na vala comum do debate eleitoral raso é tudo o que nós não precisamos. Os que estão no poder e os que eventualmente estarão precisam aprender essa lição. O maus exemplos estão aí.