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Editorial JC: Pernambuco no Oscar

Com quatro indicações ao cobiçado prêmio do cinema internacional, o filme "O agente secreto" leva a cultura e a história do Brasil mais longe

Por JC Publicado em 23/01/2026 às 0:00 | Atualizado em 23/01/2026 às 7:12

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As prévias carnavalescas no país inteiro ganham a alegria da expectativa junto ao orgulho nacional que se vê na tela grande, para os olhares do mundo inteiro. A indicação de “O agente secreto” para quatro categorias do Oscar, este ano, incluindo melhor filme e melhor ator para Wagner Moura, faz com que a identidade brasileira se assanhe, sem vergonha, com a exposição da cultura e da história no tapete vermelho do cinema global. Para os pernambucanos, uma dose a mais de emoção, no feito comandado pela criatividade do diretor Kléber Mendonça Filho: o filme é uma vitrine do Recife para o Brasil e o espectador internacional, ampliando o que se enxerga e o que se sabe do país lá fora, e para os próprios brasileiros.

Talvez essa seja uma das principais características da obra cinematográfica protagonizada pelo baiano Wagner Moura, que chega ao Oscar como um dos favoritos, depois de levar o prêmio de melhor ator de drama no Globo de Ouro: alargar os horizontes do que há, de como se vive e o que se faz e se pensa num Brasil maior que estereótipos tradicionais, recheados de simplificações e equívocos.

Até mesmo as polêmicas envolvendo críticas de “O agente secreto” são importantes, tanto para prolongar e aprofundar as questões levantadas pelo filme, quanto para trazer novas perspectivas a respeito da realidade e da história brasileiras. Sem imersão no bairrismo – de um lado ou de outro, num país continental – nem o reforço de preconceitos contra nordestinos ou imigrantes estrangeiros. A pluralidade dos pontos de vista deve ser um ponto de partida para quem assiste, e depois conversa sobre o filme de Kléber Mendonça que chega ao Oscar cercado de admiração.

O longa se inscreve na pequena lista de longas brasileiros indicados ao prêmio, ao lado de “Cidade de Deus”, com indicações em quatro categorias, e “Ainda estou aqui”, no ano passado, em três. A esperada noite da cerimônia do Oscar, em Los Angeles, nos Estados Unidos, será em 15 de março – quase um mês depois do Carnaval. Mas a folia promete tomar conta da festa do cinema, se o filme coroar a boa campanha internacional com uma ou mais estatuetas.

Como frisou Emmanuel Bento para o JC, a distinção de “O agente secreto” lança holofotes para uma tradição cinematográfica centenária, das produções em Pernambuco. “Um cinema que atravessou diferentes fases estéticas, políticas e produtivas”, ressalta Bento, e tem no trajeto de Kléber Mendonça Filho uma rota original, persistente, reconhecida dentro e fora do Brasil como a de um criador que mostra e exalta o Recife, berço e cenário de suas criações.

O momento é oportuno para se cuidar mais da cultura nordestina e pernambucana. O cinema é um dos lados de nossa arte. A energia e a atenção do momento propiciam iniciativas que ampliem a produção cinematográfica – e com ela, sejam robustecidos os investimentos em outras manifestações artísticas, valorizando a expressão popular e suscitando mais debates, deslumbres e inquietações.

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