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Editorial JC: Pernambuco é o Brasil

A pernambucanidade e a brasilidade se confundem, no dia da premiação do Globo de Ouro, que tem o filme "O agente secreto" como um dos concorrentes

Por JC Publicado em 11/01/2026 às 0:00 | Atualizado em 14/01/2026 às 7:58

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Em 2025, a premiação de Fernanda Torres como melhor atriz no Globo de Ouro, uma das disputas mais cobiçadas do cinema internacional, deixou os brasileiros extasiados, em clima de orgulho ufanista pelo feito que parecia não ser somente dela, mas de uma nação inteira. O destaque alcançado por “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, elevou a versão audiovisual da obra do escritor Marcelo Rubens Paiva, baseada na vida de seus pais, a um patamar que, mais uma vez, chamou atenção do mundo para o cinema realizado no Brasil.

Em 2026, é a vez de “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, arregimentar olhares e corações verde-amarelos para o anúncio, pela TV, nesta noite de domingo. O longa concorre em três categorias: filme de drama, filme em língua não inglesa e ator em filme de drama, com Wagner Moura. No ano passado, o longa pernambucano, com locações no Recife, levou a alegria do frevo para a França, e ganhou os prêmios de melhor direção e ator no badalado Festival de Cannes. Há poucos dias, foi escolhido o melhor filme internacional no Critics Choice Awards, outro bastante prestigiado.

A reprise do sotaque nordestino no palco, durante o Globo de Ouro, é esperada, o que sacudiria ainda mais o a imensa plateia brasileira. Mas seja qual for o resultado, a coleção de prêmios e exibições em festivais pelo mundo, o desempenho no circuito nacional de salas de cinema, e a disputa entre grandes produções de vários países, já fazem de “O agente secreto” um feito cultural de largo e profundo alcance. Pois quando leva o Brasil para ser visto lá fora, e o exibe para os brasileiros, é um país pernambucano que está sendo mostrado.

A perspectiva histórica, social e cultural a partir do Recife ou, ampliando-a, a partir da região Nordeste, muda o foco da visão comum que se tem do país e da nação, de outros prismas. Trata-se não apenas de mudança do sotaque – sem o artificialismo de sotaques forjados por artistas que não são nordestinos – mas da variação de narrativas, vivências e pontos de vista.

Seja pelo favoritismo apontado pela crítica especializada ao ator Wagner Moura, seja pela coleção de prêmios e elogios que o filme já amealhou, o papel de “O agente secreto” na formação de um novo olhar sobre o Brasil, pode despontar em mais uma cena real de glória para o cinema nacional, no Globo de Ouro. A torcida é grande pela conquista de mais um troféu – ou mais de um – à criatividade de Kleber Mendonça Filho e da equipe reunida na produção. “Eu sou os filmes que faço”, afirmou o diretor em entrevista à Folha de S. Paulo, em novembro.

Na cultura irradiada por referências audiovisuais, e pelas histórias atreladas a elas, é muito bom ver o Recife abranger o Brasil, e o Brasil abraçar Pernambuco.

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