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Editorial JC: Mais acordos é melhor

Negociações para um acordo com o Canadá prometem uma nova e importante base comercial com a América do Norte, fora do âmbito dos EUA

Por JC Publicado em 29/12/2025 às 0:00 | Atualizado em 29/12/2025 às 7:16

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O bloco formado pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, e mais a Bolívia em processo de adesão, pode estabelecer um acordo de livre-comércio com o Canadá, já em 2026. A informação do Financial Times publicada no Brasil pelo jornal Folha de São Paulo vem acompanhada de otimismo com um desfecho relativamente rápido, em prol dos interesses coletivos dos países envolvidos. Mas também de uma pitada de realismo, quando se põe a questão da disputa pelo mesmo mercado global. O importante é abrir o diálogo no sentido da cooperação, enquanto cresce a expectativa para o acordo histórico do Mercosul com a União Europeia, e permanecem as incertezas geradas pela instabilidade no comando da Casa Branca, nos Estados Unidos.

O protecionismo norte-americano, aliás, que impõe sobretaxas a produtos canadenses e brasileiros, pode ser um fator de aceleração do acordo, em pauta há pelo menos sete anos, em negociações interrompidas pela pandemia de Covid, em 2020. O ministro de comércio internacional do Canadá, Maninder Sidhu, confirmou a intenção do governo do Canadá de concluir as tratativas no ano que vem. O comércio com o Mercosul, que foi de mais de 12 bilhões de dólares em 2024, pode dar um salto com um acordo de livre-comércio, com menos tarifas e mais opções de negócios para os dois lados. A diversificação passou a ser buscada por muitos, no comércio internacional, depois da estratégia agressiva das tarifas dos Estados Unidos sob Donald Trump.

Quanto mais acordos disponíveis para as empresas exportadoras, melhor para a escolha adequada ao produto e ao mercado. Se fechar com os europeus em janeiro, o Mercosul dará um grande passo para se posicionar como bloco que pode chamar a atenção de outros blocos e países. Independentemente disso, porém, as parcerias tendem a se expandir e se consolidar em 2026 e 2027, em substituição à dependência dos EUA e de outras potências. Parece haver uma verdadeira disposição para a reformulação da praça global, elevando as trocas e multiplicando alternativas de relações comerciais.

A concorrência entre o Canadá e os integrantes do Mercosul pode ser um elemento dificultador, ou de atraso nas negociações. O que se espera é o avanço diplomático na direção de ampliação do leque de possibilidades das duas partes, já em 2026, fazendo com que a competitividade mútua seja vista como melhor do que a disputa. Do norte ao sul das Américas, a atuação conjunta pode abrir oportunidades relevantes para os empresários e o setor público. Segundo a apuração do Financial Times, a viabilidade em um acordo já em 2026 deve ser priorizada, ao invés da abrangência. Uma visão nada desprezível, que poderia ser aproveitada no longo duelo por um consenso do Mercosul com a União Europeia.

Para países em desenvolvimento, como o Brasil e demais integrantes do bloco sul-americano, o eventual acordo com o desenvolvido Canadá será uma conquista para celebrar, e abrir novos mercados.

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