Editorial JC: Educação faz o futuro
Seminário voltado para políticas públicas do ensino fundamental e médio debateu o que está em curso, e as perspectivas para os próximos anos
Clique aqui e escute a matéria
Em discurso no Senado em 2009, o ex-vice-presidente da República e ex-governador de Pernambuco, Marco Maciel citou o filósofo e historiador Norberto Bobbio, segundo o qual o mundo, entre outras dicotomias, é dividido entre os que sabem e os que não sabem.
“A questão brasileira começa na educação e, de modo especial, no ensino básico, origem de toda revolução no campo da educação”, disse Maciel na ocasião. “E devemos dar, consequentemente, toda ênfase, tanto nos projetos em execução quanto nas perspectivas do futuro”.
Com quase 70% dos estudantes do ensino médio matriculados em escolas que oferecem a modalidade de tempo integral, a educação pública em Pernambuco teve um encontro de avaliação do que está sendo feito, e do que esperar para o futuro.
O evento foi na última segunda-feira, no Centro de Convenções, e contou com a presença da governadora Raquel Lyra, que fez menção às demandas de uma economia em transformação na direção da educação. Em abordagens capazes de unir “tecnologia, inovação, preocupação com o meio ambiente, justiça social e, acima de tudo, produzindo para que Pernambuco cresça”, disse a governadora.
A escola como local de inclusão e participação também pode ser compreendida em seu sentido mais amplo na comunidade ou no bairro em que se localiza. Daí a relevância da proposta de abertura das unidades escolares nos finais de semana, para a comunidade estudantil e suas famílias, integrando ainda mais a função formativa do papel social da educação pública.
Quanto mais cedo Pernambuco não apenas se consolidar e colher frutos do ensino em tempo integral, mas também conseguir proporcionar à rede pública a disseminação de pequenas e importantíssimas ilhas de cidadania – ou oásis, como já se referiu Raquel Lyra – melhor para o presente desafiador que se impõe do lado de fora do ambiente escolar. E melhor ainda para as novas gerações, que poderão se dedicar à construção de um futuro mais estruturado do que seus pais e avós.
Presidente do Instituto Salto, Cláudia Costin participou do evento e deixou o recado: a articulação com os municípios deve ser prioridade, para que o ensino integral não se restrinja ao ensino médio. E adicionou um dado contemporâneo à necessidade desse modelo: “Com o advento da inteligência artificial, substituindo postos de trabalho em uma velocidade sem precedentes, a educação precisa ensinar a pensar, e não é possível fazer isso com disciplinas concentradas em apenas quatro horas”, avalia Costin.
Voltemos a visitar a fala de Marco Maciel, de 16 anos atrás, quando se aproxima de um dos ideais de Paulo Freire. “A educação, além de fazer do cidadão um partícipe ativo da vida social, contribui para o desenvolvimento do país, tem também uma significação muito grande no campo da realização, porque somente a educação liberta, emancipa, isto é, somente a educação dá ao cidadão a plena fruição dos direitos assegurados no Estado Democrático de Direito”. Para que os pernambucanos cheguem ao futuro desejado mais rápido, não há caminho tão certo quanto a educação.