ECONOMIA GLOBAL | Notícia

Editorial JC: Tarifaço dos EUA gera insegurança mundial

Taxações anunciadas por Donald Trump derrubam as bolsas e o dólar, com reações que indicam o predomínio da incerteza nas relações comerciais

Por JC Publicado em 04/04/2025 às 0:00 | Atualizado em 06/04/2025 às 11:09

Com performance produzida para justificar a polêmica medida descrita pelo governo norte-americano como reciprocidade na balança comercial, o presidente Donald Trump apresentou novas alíquotas diferenciadas de taxação média para os produtos de vários países. Exibindo uma tabela construída para as câmeras do mundo inteiro, e um discurso direcionado mais para o público interno, Trump cumpre o que avisou que faria. Mesmo assim, o mercado sinalizou o impacto do tarifaço, derrubando as principais bolsas de valores e afetando até a cotação do dólar, levantando rara incerteza sobre a segurança do investimento na moeda norte-americana.


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A política voraz de tarifas recíprocas, ao se assemelhar a uma invasão de fronteiras financeiras antes da negociação caso a caso, já provoca estragos talvez não previstos – ou se esperados, talvez minimizados – pela Casa Branca.

Como a desvalorização do dólar e a suspeita, externada por alguns analistas, de que os maiores prejudicados na guerra comercial deflagrada por Trump venham a ser os norte-americanos, mesmo sob a narrativa da proteção de sua economia, empregos, indústrias e interesses. Difícil prever, por enquanto, se a fuga do dólar para outras moedas, como o iene, a libra e o euro, será tendência nas próximas semanas, ou se trata apenas, agora, do susto com o tamanho do tarifaço dos Estados Unidos sobre o mundo.

Mas o fato é que instituições do porte do Deutsche Bank, da Alemanha, já afirmaram oficialmente o receio de crise de confiança na moeda norte-americana.

Outro consenso dos analistas de mercado é sobre a probabilidade do advento de recessão para a economia dos EUA, na contramão do ufanismo de seu novo presidente.

Como a desarrumação pode ser grande, dentro do lado de fora do país, a partir do anúncio espalhafatoso de Trump, o comportamento das relações comerciais nos próximos meses irá determinar a dimensão global do tarifaço – bem como a estabilização entre os países, incluindo ou não os norte-americanos nas negociações que vêm pela frente.

A potência econômica da América do Norte pode sair desse episódio histórico ilesa, ou menor do que entrou, a depender da condução política e diplomática depois da investida criticada pela maioria dos líderes mundiais.

A sobretaxação à importação de parceiros comerciais não pegou bem – mais uma vez – para a figura de Trump e a nova imagem dos EUA no tabuleiro geopolítico no planeta.

Algo que está incomodando parte crescente da população norte-americana, nos primeiros meses do segundo mandato do magnata, que vem perseguindo universidades, cientistas e, com maior ímpeto, os imigrantes, escolhidos como alvo número 1 do nacionalismo revigorado por Washington.

Consequências das ações de Donald Trump

As consequências da junção entre as políticas interna e externa de Donald Trump podem ser desastrosas para os norte-americanos – e para a civilização, em menor grau, a depender da reação das instituições democráticas ao autoritarismo instalado na Casa Branca.

Sem sofrer maiores ameaças pelo tarifaço, por enquanto, a posição brasileira deve ser mais de observação do que de reação, embora a disposição do Planalto e do Congresso oscile entre uma imediata prova de insatisfação, e a cautela recomendada pela diplomacia.