Vidas salvas e menos custos
Estudo aponta que a redução de mortes e ferimentos graves nas rodovias pode diminuir os custos da saúde pública e da previdência no Brasil

Levantamento elaborado pelo IPEA e pela Cepal, das Nações Unidas, estima que o custo de cada morte provocada pelo trânsito custa quase R$ 3 milhões aos brasileiros. A cifra é apresentada como argumento a mais para a adoção das Rodovias que Perdoam, conceito que aplica tecnologia na mobilidade para garantir segurança e, a reboque, traz menor custo para o sistema de saúde e para a Previdência Social. Em um país onde faltam recursos para gastos básicos de promoção do desenvolvimento social, e também para investimentos necessários de infraestrutura, além da prevenção de sinistros rodoviários, a economia que pode ser gerada pela segurança nas estradas não é desprezível.
O presidente do Instituto Zero Mortes, Paulo Pêgas, traduz o significado de investimentos realizados nas rodovias, uma vez que as vítimas do trânsito chegam a representar 70% das internações hospitalares. As vítimas da insegurança rodoviária, ao encherem os hospitais, apertam a agenda das cirurgias eletivas, por exemplo. “Ao investir em dispositivos de segurança viária, o poder público beneficia a sociedade”, diz ele. Ao que podemos emendar: são benefícios que se estendem muito além dos percursos concluídos em segurança, ampliando a capacidade de atendimento da rede de saúde e, ao impedir mortes e aposentadorias precoces, joga para baixo os gastos com a previdência.
Como são pelo menos 30 mil pessoas mortas no trânsito por ano nas vias brasileiras, a soma dos gastos chega a R$ 90 bilhões – que poderiam ser investidos em prol da vida coletiva. “O valor supera o déficit primário do país, atualmente em R$ 85 bilhões”, compara Pêgas, ressaltando que há sabida subnotificação de óbitos por essa causa. “É mais prático informar uma falência múltipla dos órgãos ou uma parada cardiorrespiratória”. Para que a economia como um todo se beneficie da segurança rodoviária, é preciso que os governos assumam a missão de planejar e executar políticas públicas de longo prazo, num projeto de Estado, e não de mandatos, como é a regra no Brasil. A implementação em uma década ou uma década e meia pode transformar a realidade nas estradas e no país, tendo em vista os bilhões que poderão ser poupados, todos os anos, depois.
Os diagnósticos das condições nas estradas e vias pelo país são bem conhecidos dos gestores públicos. Falta, para variar, compromissos respeitados com o trabalho consequente, ao invés de promessas renovadas a cada quatro anos. A permanência das estatísticas macabras de mortes e feridos nas rodovias, na perspectiva do estudo, resvala na irresponsabilidade política de prejuízos irremediáveis – vidas perdidas e afetadas até o fim – e da perda de recursos bilionários que fazem muita falta ao povo brasileiro. Com mais tecnologia, melhores projetos e sinalização adequada, as rodovias podem ser ambientes de travessia sem medo ou imprevistos fatais, mostrando-se até mais convidativas para o incremento do turismo interno e o desenvolvimento de polos regionais.