APAGÃO NAS TELAS | Notícia

Insegurança global

Falha em serviço de proteção de dados desencadeou panes em diversos sistemas no mundo, afetando desde a Justiça brasileira à aviação internacional

Por JC Publicado em 20/07/2024 às 0:00

Mais de 5 mil voos cancelados, outros milhares atrasados com dificuldades no embarque, bancos e estações de TV fora do ar, bolsas de valores em suspense, hospitais nos Estados Unidos com a emergência prejudicada, farmácias na Inglaterra e até sistemas internos do Supremo Tribunal Federal, no Brasil, afetados. O planeta viveu um dia de apagão cibernético, como foi chamada a falha num único serviço de proteção de dados que atua em diversos países, e em tecnologias de escala global, na sexta-feira. As consequências do blecaute nas telas ainda devem se estender por dias ou por um tempo indefinido, porque os especialistas avaliam os danos, ao mesmo instante em que terão que procurar formas de impedir outros eventos semelhantes.
A vulnerabilidade que a maioria dos habitantes da Terra nem sabia existir em tamanha escala suscita debates em torno da falta de segurança na tecnologia da informação que rege a vida contemporânea – nos aplicativos de comércio, transporte, finanças, diversão e serviços em geral, mas também na preocupante gestão do tráfego aéreo. Nesse ponto da insegurança evidenciada, sobra desconfiança em relação ao domínio da inteligência artificial, que pode ter sido um dos fatores da quebra da normalidade mundial, mais uma vez – numa espécie de evento extremo da saúde da comunicaç ão, como uma pandemia nas nuvens.
A retomada do funcionamento normal dos sistemas irá demandar procedimentos manuais que podem demorar, mas o mais inquietante é saber que o apagão pode acontecer a qualquer hora, de novo. Trata-se de questão que sai da esfera da segurança da informação, e invade áreas da soberania nacional e da economia concentrada em pouquíssimos grandes atores, como no caso das onipresentes empresas de tecnologia. O tilt verificado esta semana veio de uma empresa com 24 mil clientes, responsável pela proteção de centenas de milhares de computadores. É urgente que a segurança da tecnologia da informação seja repensada, à luz do advento da inteligência artificial, sim, mas também de uma reorganização econômica que iniba a dependência exclusiva de determinado serviço ou empresa.
Como o evento global se deu, segundo se noticiou, por causa de uma atualização defeituosa, abre-se a especulação de que um hacker poderia fazer algo de mesma natureza. Mais um motivo para o aperfeiçoamento da segurança, de maneira a prevenir defeitos e invasões. Como a guerra cibernética também está na pauta da época, a escala pandêmica de ataques cibernéticos deve fazer cientistas e governos entrarem de vez em alerta contra as hipóteses pessimistas que fascinam os fãs de ficção científica e de tramas distópicas.
Em paralelo à discussão do quanto estamos à mercê da tecnologia, não deixa de vir o questionamento da dependência cada vez maior das telas, da TI e da IA. Se não podemos mais nos desconectar, o que resta quando somos desconectados de surpresa? Até que ponto desejamos trilhar o caminho da tecnologia que vicia enquanto facilita a vida de todos?

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