Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco
Promovida pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, a Semana constitui importante espaço de reflexão
Clique aqui e escute a matéria
A 19ª edição da Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, de 17 a 21 de agosto de 2026, reúne instituições culturais, comunidades, educadores, estudantes, pesquisadores, agentes culturais e a sociedade civil em torno da valorização, da memória, da proteção e da salvaguarda das referências culturais pernambucanas.
Promovida pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, a Semana constitui importante espaço de reflexão sobre a história, a memória e a identidade do povo pernambucano. Em tempos de rápidas transformações sociais, urbanas e tecnológicas, essa reflexão se torna ainda mais necessária, diante das mudanças nos modos de viver, ocupar os territórios e estabelecer vínculos com a memória.
17 de agosto: uma data emblemática
A escolha de 17 de agosto para o início da Semana é particularmente significativa. No Brasil, a data marca o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural, em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, figura fundamental para a criação e consolidação do Iphan.
A data também dialoga com a história de Pernambuco: em 17 de agosto de 1645, ocorreu a Batalha de Casa Forte, importante episódio da Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês. Estabelece-se, assim, uma simbólica aproximação entre a memória nacional, a história regional e a cultura pernambucana.
Nesta edição, ganha destaque o papel das comunidades na manutenção, transmissão e renovação das referências culturais. Essa perspectiva amplia a compreensão do patrimônio como elemento essencial ao espírito de pertencimento, às identidades individuais e coletivas e aos vínculos entre as pessoas e os territórios.
Preservar o patrimônio não significa apenas proteger sua dimensão física, mas reconhecer também as relações sociais, as práticas culturais, os saberes e os sentidos atribuídos pelas comunidades aos lugares e às suas referências.
Como lembra Gilberto Freyre: “O patrimônio histórico é a memória viva de um povo, é o elo que nos conecta com o passado e nos ajuda a compreender o presente.”
Falar de patrimônio cultural é falar daquilo que expressa a história e os modos de vida de uma sociedade. Igrejas, casarões, fortes, monumentos, sítios históricos, documentos e objetos integram o patrimônio material. Festas populares, saberes tradicionais, música, dança, culinária, artesanato, manifestações religiosas e outras formas de expressão constituem o patrimônio imaterial. Juntos, esses elementos contam a história de Pernambuco e participam da construção de suas identidades.
Segundo a Unesco, o patrimônio cultural é expressão da identidade de um povo e importante base para o desenvolvimento.
A Semana reafirma, desse modo, o compromisso com uma preservação democrática, plural e interdisciplinar, capaz de articular educação, memória, identidade e participação social. Conhecer e preservar nossas referências culturais é compreender de onde viemos, fortalecer quem somos e participar da construção do futuro que desejamos.
O patrimônio cultural não é imóvel nem pertence apenas ao passado. É vivo, dinâmico e continuamente ressignificado pelas pessoas e pelas comunidades. Torná-lo um valor compartilhado significa reconhecer que preservar a memória é também cuidar dos vínculos que nos unem aos lugares, às histórias e às identidades que construímos coletivamente.
É nesse sentido que a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco visa, pelo que penso, se afirmar como espaço de encontro, reflexão e participação: uma oportunidade para celebrar o que recebemos das gerações anteriores, compreender o que construímos no presente e assumir a responsabilidade pelo patrimônio que desejamos legar às futuras gerações.
Preservar o patrimônio cultural é preservar a alma de uma nação, defender sua nacionalidade e, no nosso caso, a pernambucanidade.
Roberto Pereira Cadeira 35 — Academia Pernambucana de Letras