Por que oito anos?
É inacreditável essa "cegueira" das lideranças políticas brasileiras. Todos sabem que esse "arrumado" vem aumentando a nossa desgraça
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São poucos, mas existem lúcidos empresários de nossos País, inclusive em Pernambuco, que se colocam contra o processo da reeleição para cargos executivos na política brasileira, um instrumento que abre as portas para profundos desvios de conduta, gastos de recursos públicos exorbitantes e algumas vezes ilegais, posto que na política os "chefões" consideram que "feio é perder".
Sob essa visão, coloca-se à disposição de nomes como Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre, Waldemar Costa Neto e outros políticos de iguais históricos, vários bilhões de reais de recursos públicos, que bem poderiam ser aplicados na saúde, na educação, na segurança pública, setores que pioram largamente a cada ano que passa. O presidente Lula não está isento disso: em busca de um quarto mandato, sacudiu para o espaço as contas públicas, enterrou definitivamente o antigo discurso do "Arcabouço Fiscal", que no fundo nunca foi "arcabouço", nem foi "fiscal"; afastou do Ministério da Fazenda o obediente Fernando Haddad, que vai perder mais um eleição disputando o Governo de São Paulo, contra o favorito Tarcísio de Fretas. Até o final deste mandato, seja o Presidente Lula reeleito ou não, a dívida pública do país deverá chegar aos 90 por cento do Produto Interno Bruto. E Lula vai continuar fazendo cortesia com o "chapéu alheio", gastando muito e sem controle, em busca do voto do eleitorado menos informado e mais carente, que ainda não foi arrebanhado pelos pastores evangélicos. Ainda...
É inacreditável essa "cegueira" das lideranças políticas brasileiras, diante do processo da reeleição. Todos sabem que esse "arrumado" político brasileiro vem aumentando a nossa desgraça; que os Fundos Partidário e Eleitoral, "cevados" com o dinheiro do contribuinte, são tão misteriosos quanto as "emendas impositivas", onde ninguém presta conta a ninguém e o patrimônio de cada um desses "chefões", que tomam conta dessa dinheirama, cresce a cada dia. Hoje, além de empresários mais lúcidos, acadêmicos, profissionais liberais, estudiosos da vida pública e outros brasileiros esclarecidos já deduziram, faz tempo, que entre as várias chagas que deterioram a política nacional, a reeleição é uma das piores entre todas elas. E não era pra ser assim.
Foi uma emenda à Constituição, proposta pelo então deputado pernambucano de primeiro mandato Jose Mendonça Filho, no primeiro Governo de Fernando Henrique Cardoso, que instituiu a reeleição. A ideia era boa, mas o processo que já nasceu torto, quando se descobriu que para votar favorável alguns deputados de Estados do Extremo Norte "venderam" seus votos. "Comprados" por um ministro de Fernando Henrique. Esses deputados foram punidos, mas a reeleição foi aprovada. Alias, essa mudança na Constituição parecia pertinente: um mandato de quatro anos era pouco tempo para um governante cumprir as promessas de campanha. Havia o tempo de adaptação, as negociações políticas com o Congresso, algumas vezes de oposição; a formação da equipe ministerial, etc. e admita-se , tudo isso "encurtava" o tempo que o governante tinha para trabalhar.
Aprovado o processo da reeleição, todos os que ocuparam a presidência tomaram posse pensando no segundo mandato, com exceção de Jair Bolsonaro, que foi eleito pensando em dar um golpe de Estado, quando o primeiro mandato encerrasse.
Pergunta-se: Por que não se propõe uma mudança constitucional ampliando os mandatos executivos de quatro para cinco anos, com o fim da reeleição? Se em cinco anos um governante não consegue Cumprir um projeto de Governo, a escolha foi errada e ele não deveria ter sido eleito.
Um mandato de oito anos para gestores como Luis Inácio Lula da Silva, que não tem compromisso com o equilíbrio fiscal, coloca sob ameaça a Previdência Social, o benefício dos aposentados, a autonomia das universidades, o sistema de saúde, o ensino publico e outras obrigações intransferíveis, deve ser melhor avaliado por quem considera o instituto da reeleição uma coisa boa para o povo brasileiro. Não é.
Ivanildo Sampaio é jornalista