Espaço Verde de Aldeia: uma ausência que faz falta
Durante muitos anos, os SPAs eram usados para a perda de peso; e o Espaço Verde foi destaque. Conheci bem a rotina............................
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Antes do surgimento do Mounjaro e do Ozempic, que garantem a perda de peso, havia uma grande preocupação das pessoas com o excesso de peso. Os consultórios dos endocrinologistas viviam lotados; alguns ficaram famosos exatamente por conseguirem que os clientes perdessem muitos quilos. Havia, ainda, a opção dos SPAs, com a permanência de alguns dias cumprindo um regime para perder peso e cuidar de outros problemas de saúde. eram uma verdadeira febre entre empresários, políticos, médicos e personalidades da sociedade. Muitos passavam uma ou duas semanas internados voluntariamente para perder peso, fazer caminhadas, seguir dietas rigorosas e participar de palestras sobre saúde.
Nacionalmente, dois ficaram famosos: o Kur, de Gramado, um sofisticado empreendimento onde estive convidado por Samuel Oliveira. Atraía muitos famosos do mundo empresarial e artístico.. Outro, em Sorocaba, no interior de São Paulo, era conhecido pelo rigor nas normas. Ficou famosa uma história de Chiquinho Scarpa, que fugiu dele e contratou um helicóptero para lançar chocolate para os internos.
No Recife, surgiram alguns programas de emagrecimento em estilo provisório, normalmente uma vez por mês. Dois ficaram muito conhecidos. O primeiro, do famoso endocrinologista Luciano Teixeira, que aconteceram no Hotel Viver, em Moreno, e no Hotel Blessed, em Itamaracá, com programa de emagrecimento, reeducação alimentar, atividades físicas e qualidade de vida. Outro foi o de Sylvia Lobo, do Pró Dieta, que acontecia no Summerville, numa área bem afastada da usada pelos hóspedes comuns, para evitar, digamos, tentações.
Nos anos 80, as irmãs Carmem Sofia e Maria Dulce, filhas do ex-governador Cid Sampaio, decidiram transformar um espaço que tinham na Estrada de Aldeia, km 4,5, em meio à Mata Atlântica. O local tornou-se referência no Nordeste. Reunia hospedagem, em 18 apartamentos confortáveis, piscina, academia, sauna, atendimento médico, nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e programas de atividade física. Mantinha uma reputação bastante positiva entre os frequentadores, especialmente pela tranquilidade do local e pela qualidade do serviço. Em datas especiais, como Carnaval, Semana Santa, São João e feriadões, era difícil encontrar uma vaga, diante da enorme procura.
Conheci bem a rotina do Espaço Verde, onde estive incontáveis vezes, sempre saindo de lá com três ou quatro quilos a menos. O dia começava às 6h, com o telefonema da portaria. Era a hora do café da manhã, já no esquema de poucas calorias: fruta, iogurte, pão integral e café.
Às 8h, era a saída para a caminhada, usando a van do SPA. Os roteiros variavam: trilhas em Aldeia, área da Oficina Francisco Brennand, campus da UFPE, Zoológico de Dois Irmãos e até a Avenida Boa Viagem. Durava uma hora, com a van recolhendo os que não conseguiam completar o percurso. Na volta ao SPA, o lanche era simplesmente um suco, com a orientação de não ultrapassar um copo. Às 10h, começava a hidroginástica, sempre a atividade mais esperada. Na academia do SPA, eram realizadas aulas de ginástica e o uso da sauna e da caminhada numa piscina de pedras vulcânicas.
Ao meio-dia, o almoço, balanceado e controlado. Tinha saladas variadas, frango, peixe e carne magra grelhada, além de pequena porção de arroz integral. Na sobremesa, fruta ou gelatina diet. O café era liberado o dia inteiro, com máquina sempre à disposição.
Depois, hora de descanso até as 15h, quando havia o lanche, normalmente uma fruta, e a segunda caminhada do dia, sempre em área próxima e com duração de 45 minutos.
Na volta, o banho e a preparação para o jantar, servido a partir das 19h, que incluía sopa, saladas e frutas. Chegava a hora do relax, sempre com um bingo ou show de artista local. Era hora de dormir, recuperar as forças para as atividades do dia seguinte.
Para tristeza dos frequentadores, o espaço fechou nos anos 2000, deixando saudades em seus visitantes constantes. Alguns eu lembro, como Jarbas Vasconcelos, Geralda Farias, Gustavo Krause, Cláudio Constantino, Antônio Campos, Tony Gel, Julião Konrad, Magno Martins, Eudson Catão e André de Paula.
João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1