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Ivanildo Sampaio: Coisas do Senado Federal

Na verdade, o presidente do Senado, hoje, tem uma história política das mais controversas, assim como um passado pouco recomendável.........

Por IVANILDO SAMPAIO Publicado em 10/05/2026 às 5:00

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu, recentemente, duas fragorosas derrotas no Senado Federal: uma que derrubou seu veto ao Projeto da Dosimetria; outra, quando viu ser reprovado pelo plenário da Casa o nome do Procurador-Geral da República, o pernambucano José Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, fato que não acontecia já se vão mais de 100 anos. E isso doeu. Até porque Messias é dono de profundo saber jurídico, tem ficha limpa e comportamento ético, que só iria engrandecer o Supremo Tribunal Federal. O Senado é majoritariamente de oposição e prefere prejudicar o país a aprovar um projeto ou sugestão do Governo.

Na verdade, Lula tem abusado um pouco nessas indicações. Conseguiu colocar na Suprema Corte o ministro Cristiano Zanin, seu advogado pessoal; assim como indicou também Flávio Dino, que integrou seu ministério nas primeiras semanas do atual mandato. Em favor de Flávio, diga-se que se trata de um profundo conhecedor do Direito, talvez um dos juízes mais preparados daquele colegiado.

No passado, foi também, para "sua honra e glória", a indicação do ministro Dias Toffoli, hoje envolvido até o pescoço no escândalo do Banco Master. E, curioso: foi o mesmo Dias Toffoli que, quando Lula estava detido numa prisão em Curitiba, negou ao ex-presidente uma solicitação para que pudesse comparecer ao sepultamento de um irmão, Genivaldo, que ocorreria em São Paulo. Solicitação feita por Cristiano Zanin... Lula
nunca perdoou Dias Toffoli, não esqueceu de sua mesquinha decisão. Mas, com relação à rejeição
do nome de José Messias, tudo foi tramado e executado pelo presidente da Casa, o senador do Amapá, Davi Alcolumbre; um apagado discípulo do ex-presidente José Sarney, que mais tarde trairia seu mestre. Sarney também nunca perdoou Davi Alcolumbre, outro caso da "cria" que se volta contra o criador.

Na verdade, o presidente do Senado, hoje, tem uma história política das mais controversas, assim como um passado pouco recomendável. Na sua história são registrados episódios de corrupção, chantagem, desvio de recursos públicos e outras falcatruas, tudo relatado num longo perfil de Davi Alcolumbre, publicado na Edição da Revista Piauí, número 235, do mês de abril último. A revista vasculhou a vida do senador desde os seus primeiros passos na política do Amapá, onde era protegido de José Sarney que, quando deixou a Presidência da República, disputou e venceu uma vaga no Senado pelo Estado. Na verdade, o Amapá, que era antes um dos territórios federais, tinha pouca importância política e quase nenhuma relevância na discussão dos grandes
temas nacionais.

Políticos mais calejados viam como um erro entregar um dos cargos mais importantes da República a um senador daquele Estado, ainda mais com uma biografia controversa como a de Davi Alcolumbre, que também tem um dos irmãos envolvido nas falcatruas do Banco Master. Acontece que o senador tomou gosto pelo cargo e passou a usar e abusar desse poder temporário. A rejeição do nome do procurador José Messias para ocupar a vaga aberta no Supremo foi, simplesmente, uma retaliação de Alcolumbre pelo fato de o Presidente Lula não ter acatado a sugestão do senador, que desejava ver no Supremo o ex-senador mineiro Rodrigo Pacheco.

E fica a pergunta: cabe ao Presidente da República ou ao Presidente do Senado essa indicação? Se Lula baixa a cabeça e indica Pacheco, a sugestão não era dele; era de Alcolumbre. Que certamente teme ver seu nome, mais cedo ou mais tarde, envolvido em algum processo na instância mais alta do Judiciário brasileiro e, no julgamento, talvez não tenha um só voto que lhe seja favorável. Até porque seus adversários políticos dizem que deveria assinar seu sobrenome como "Al Columbre", triste referência ao mafioso mais conhecido da história, que se imortalizou como "Al Capone".

Triste também do Senado Federal — que agora vai ter que se movimentar muito para defender o prontuário do Senador Ciro Nogueira que, assim como o Ministro Dias Toffoli, aparecem com destaque nas conversas e anotações mais perigosas de Daniel Vorcaro.

Ivanildo Sampaio é jornalista.

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