Não é que eles viraram a página! Que desfaçatez!
A suposta meritocracia", tão decantada, se demudou em torniquete. Poder, dinheiro e influência foram convertidos em "elixir da longa vida".
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Nem sempre como se quer. Poucos intelectuais sabem produzir um texto de forma linear e sem meandros, sobrepondo argumentos de modo progressivo em direção à conclusão.
O artigo de hoje incorre nesse erro crasso, mesmo recordando a observação de Syleno Ribeiro de Paiva: "Nem a você eu concedo o direito de confessar seus erros e falhas. Quer brigar comigo, amiga? "
Mas tudo isso impõe uma série de explicações. O leitor domingueiro deverá aguardar o epílogo sem nenhuma impaciência. Iniciemos pela palavra "magistocrata". O vocábulo não consta do Michaelis, Priberam ou VOLP. Trata-se da inventividade de um articulista da Folha de São Paulo. Mas devo assinalar que há outras palavras que prescindem de enciclopédia. A "queda" é uma delas. Miserabilidade é outra.
Há poucos dias uma profissional levou um trambolhão dentro de casa e foi golpeada por uma pedra de mármore do tempo dos romanos. Tudo isso numa madrugada diluviana. Trovões e relâmpagos dificultavam a saída de casa, mesmo por necessidade. Mas era preciso cuidar da lesionada para que ela não "esticasse as botas" antes de providenciar o testamento. Por isso, a família correu depressa para o hospital mais próximo. Na realidade, havia aparecido uma lombada preocupante no crânio da contundida. Parecia com os redutores de velocidade da Jaqueira, bairro do Recife. O "galo" era de tal ordem que os óculos não entravam na cabeça.
No dia subsequente, já na residência, a vítima apanhou a escova de dentes e percebeu que o tubo estava seco. Problema de orçamento apertado. Lembrou-se que um simpático dentista havia oferecido, meses antes, três amostras grátis de um produto novo para os dentes. Os tubinhos estavam no lavabo e a procura foi desnecessária. A doente encharcou a escova, após furar a ponta do dentifrício. Ao friccionar os dentes, percebeu que a pasta tinha um sabor "sui generis e não espumava. Recordou as palavras de um velho odontólogo: "Pasta de dentes é como chocalho para os bebês. Diverte, mas não revela qualquer utilidade. O importante é a boa escovação.
Chegou o fim do estoque-doação, sem que a sinistrada pudesse conhecer as instruções. Além das letras diminuídas, a protuberância no couro cabeludo inviabilizava o uso da armação dos óculos. Antes de terminar as bisnagas, a senhora percebeu que a leitura já era possível. As instruções começavam com a frase: "Creme especial para hidratação intravaginal. Usada para prevenir o ressecamento da mucosa íntima e equilibrar o pH.". A essa altura, já não era possível recuar.
No dia subsequente, a acidentada escutou o elogio de uma visita: "Seu rosto está bem mais jovem! Além de viçoso, muito corado! Concluiu que era o efeito adverso do creme para os dentes decorrente da "merreca" salarial que reebiaa. Confirmava tal conjetura, o texto lido na "Folha de São Paulo", produzido por Conrado Hubner Mendes, mencionando as frases mais assustadoras dos membros do Judiciário: "Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles que trabalham em regime de escravidão (desembargadora paraense com salário de 100 mil reais); a população vai sentir quando procurar a Justiça e ela faltar (100 mil reais). Minha remuneração vai ser menor do que a de um cara que vende picolé (juiz com salário de 100 mil). Tudo isso na sequência de fortes ameaças: "vou-me embora, vou montar uma banca e defender a Lava-Jato"; " Quero é ficar em casa e foda-se". Um promotor mineiro, participante do glamoroso grupo, indagou: "O que devemos fazer? "Vamos ficar quietos? "E o articulista indaga: " Existe algo mais sério e profundo do que a desfaçatez degenerada? "
O grande problema é que os cem mil reais dos magistrados foram convertidos em "mínimo existencial". Afinal, por trás da liturgia forense há sempre um burocrata consagrado pelas indulgências recebidas em concursos públicos. Tudo com a finalidade de assegurar o "delírio do mérito". A culpa é do STF que, "virando as páginas", limitou os penduricalhos a 35% do teto constitucional. Isso é mesmo um cinismo e descaramento - pensou e jamais diria - o grupo dos beneficiados.
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