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Dia da Memória do Holocausto: para nunca esquecer, jamais esquecer

O Holocausto nos ensinou que o silêncio também pode ser cúmplice. Por isso, mais do que nunca, é preciso falar, ensinar e agir. Nunca esquecer

Por Boris Berenstein Publicado em 14/04/2026 às 0:00 | Atualizado em 17/04/2026 às 11:02

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Ontem,  judeus em Israel e em toda a diáspora se unem em silêncio e reflexão para marcar o Yom HaShoah, o Dia da Memória do Holocausto. Mais do que uma data no calendário, este é um momento de profunda introspecção coletiva.

Lembramos os seis milhões de judeus assassinados durante a Segunda Guerra Mundial — homens, mulheres, crianças — vítimas de um projeto sistemático de extermínio que revelou até onde pode chegar o ódio quando não é enfrentado.

Mas a memória da Shoah não pertence apenas ao povo judeu. Ela é um alerta universal. Um chamado permanente à consciência da humanidade.

No meu caso, essa lembrança ganha uma dimensão ainda mais íntima. Sou filho de sobreviventes. Cresci ouvindo histórias que não estavam nos livros, mas na vida. Histórias de dor, de perda, mas também de resiliência e reconstrução.

Histórias que me ensinaram que lembrar não é opcional — é essencial. A memória não é apenas um exercício do passado. Ela é um instrumento de vigilância no presente.

Vivemos tempos em que discursos de ódio, intolerância e antissemitismo voltam a crescer em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Diante disso, o Yom HaShoah nos impõe uma responsabilidade ainda maior: a de não sermos indiferentes.

Lembrar é resistir ao esquecimento. Lembrar é educar as novas gerações. Lembrar é garantir que a história não se repita. Como presidente da Federação Israelita de Pernambuco, reforço a importância de manter viva essa memória — não apenas dentro da comunidade judaica, mas em toda a sociedade.

A educação, o diálogo e o compromisso com os valores democráticos são os caminhos que nos permitem transformar a dor do passado em um legado de consciência.

O Holocausto nos ensinou que o silêncio também pode ser cúmplice. Por isso, mais do que nunca, é preciso falar, ensinar e agir. Que a memória daqueles que pereceram seja uma luz permanente a iluminar nossos caminhos.

E que jamais nos falte coragem para afirmar, com clareza e convicção: Nunca esquecer. Nunca mais.

Boris Berenstein, médico e Presidente da Federação Israelita de Pernambuco.

 

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