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Economia Brasileira: onde estamos e para onde vamos

O aumento das despesas públicas pode dificultar o controle da inflação e uma queda mais rápida da taxa básica de juros (Selic).........

Por JORGE JATOBÁ Publicado em 25/02/2026 às 0:00 | Atualizado em 25/02/2026 às 7:19

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Passado o carnaval, analisamos a economia do país para entender onde estamos e quais são as perspectivas até o final de um ano eleitoral e de Copa do Mundo. Em dezembro do ano passado, os dados mostraram uma economia em franca desaceleração. Em 12 meses até dezembro, o índice de atividade econômica situou-se em 2,5%, recuando por seis meses consecutivos e ficando abaixo daquele observado em 2024 (3,7%). Os efeitos de uma elevada taxa de juros (Selic a 15,0%) fizeram-se presentes, mas a inflação apesar de agora se situar abaixo do teto (4,26% em 2025) resiste em se ancorar mais perto ou no centro da meta de 3,0%. Observe-se que, até janeiro, em 12 meses, a inflação já subiu para 4,44%. Com idas e vindas, a trajetória de convergência está sendo lenta, a despeito da contribuição do câmbio que, em janeiro, caiu para R$ 5,34 por dólar e que continua se desvalorizando em fevereiro (R$ 5,22) graças às incertezas e riscos da política econômica do Governo Trump, que tem provocado o redirecionamento de recursos externos, em dólar, para investimentos na Bolsa brasileira.

O estoque de empregos formais, em 2025, foi maior em 2,71%% comparado à 2024 (1,28 milhões a mais) em linha com o desempenho da economia, apesar da perda líquida de emprego, em dezembro de 2025, ter sido de 618,2 mil vagas, fenômeno sazonal e, portanto, esperado. A taxa de desemprego, no trimestre terminado em dezembro de 2025, foi de apenas 5,1% (5,5 milhões de desocupados), um mínimo histórico alimentado pelo aumento do trabalho por conta própria, entre outros de caráter informal, inclusive por atividades vinculadas a usos de aplicativos, elevando o número de trabalhadores ocupados para 103 milhões. Por essas razões a taxa de variação do rendimento médio real do trabalho continua crescendo (6,1%), retomando ritmo perdido ao longo do ano.

Do ponto de vista setorial, o varejo ampliado cresceu apenas 0,1% em 2025, como resultado do mal desempenho das vendas de automóveis, motos, peças e partes e da construção civil. O varejo restrito que não contém esses segmentos, teve um desempenho bem superior (1,8%). O setor de serviços contribuiu expressivamente , pelo seu peso, para o crescimento da economia em 2025 ao se elevar em 2,8% enquanto a indústria deve se expandir em apenas 1,7%.

Agora, para onde vamos em ano onde a crise fiscal continua presente e nos esperam importantes eventos políticos e esportivos? O mercado indica que o PIB não deverá crescer mais do que 1,80%, em 2026, que a inflação deve se situar, no final do ano, em 3,95% e que a SELIC poderá baixar para, no máximo, 12,25%. O dólar, embora quase sempre imprevisível, deverá se situar em torno de R$5,50 em ano de continuadas perturbações geopolíticas e geoeconômicas devido às disrupções provocadas por Trump.

O aumento real do salário mínimo e a isenção de pagamento de imposto de renda para quem ganha até R$5 mil, devem aumentar a renda disponível das famílias e se constituir em estímulo para a elevação do consumo desse grupo que responde por quase 2/3 do PIB. A expansão dos investimentos dos governos, federal e estadual, em ano eleitoral, as despesas com as campanhas dos candidatos e os gastos com as festividades relativas à Copa do Mundo, podem estimular a demanda agregada a despeito das dificuldades de aumentar as exportações em consequência das guerras tarifárias , iniciadas por Trump e que se disseminaram mundo afora, mas que estão criando novas oportunidades de mercado para os exportadores brasileiros. Por outro lado, as transferências de renda para famílias e pessoas (aposentadorias, BPC, Bolsa-Família, etc.) que tiveram ganhos reais indexados ao salário-mínimo devem contribuir para o aumento do consumo das famílias. Essas perspectivas são boas. E as que não são?

Este ano trará novas turbulências políticas, nacionais e internacionais, que podem elevar riscos e incertezas, piorando o ambiente de negócios e inibindo novos investimentos que ampliam a capacidade produtiva do país, gerando emprego e renda.. A sociedade brasileira continua polarizada politicamente, tendência que tende a se agravar em ano de eleições. Cria-se, assim, um cenário favorável ao surgimento de crises institucionais que podem ser paralisantes do ponto de vista econômico. A economia anda de mãos dadas com a política. Veja-se o caso do Banco Master e de seus efeitos sobre a política, o lado financeiro da economia e as instituições da República.

Ademais, o aumento das despesas públicas pode dificultar o controle da inflação e uma queda mais rápida da taxa básica de juros (SELIC), inibindo o consumo das famílias e as decisões dos empresários para expandir ou abrir novos negócios. A ver!

Jorge Jatobá, doutor em Economia, professor titular da UFPE, ex-Secretário da Fazenda de Pernambuco, membro do Conselho de Honra do LIDE-PE. Sócio da CEPLAN- Consultoria Econômica e Planejamento

 

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