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Tatiana Marques: Atenção às pontes dos eventos e do turismo

Quando a divergência de ideias se transforma em ruptura de pontes, ataques pessoais e rompimento de vínculos institucionais, todos perdem

Por TATIANA MARQUES Publicado em 05/02/2026 às 6:00

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Perigo: ano eleitoral.

Um ano eleitoral traz movimentos que vão além das urnas: paixões, disputas e narrativas que, muitas vezes, ultrapassam o campo político e invadem o pessoal, o profissional e o institucional.

E isso atinge diretamente o nosso setor.

Para quem compreende o valor do ecossistema dos eventos e do turismo, o cenário traz uma preocupação legítima. Trata-se de uma máquina de desenvolvimento essencialmente relacional, que depende do diálogo permanente entre instituições públicas, gestores, lideranças, profissionais e empresários para que projetos avancem e oportunidades não se percam.

É exatamente aqui que mora o risco silencioso dos períodos eleitorais.

Quando a divergência de ideias se transforma em ruptura de pontes, ataques pessoais e rompimento de vínculos institucionais, todos perdem — e o setor sente.

Leva-se anos para construir ambientes de confiança — e minutos de intolerância para destruí-los.

O respeito pessoal é valor que precisa ser preservado.

Porque a preferência política de quem faz o mercado é, antes de tudo, o “partido do turismo” — termo usado por Toni Sando, uma liderança inconteste do turismo brasileiro.

Depois da quase morte do setor durante a pandemia, vivemos um momento de retomada, perspectivas e oportunidades. Não podemos herdar, a cada ciclo eleitoral, um ambiente institucional fragilizado por ressentimentos evitáveis.

Nossa responsabilidade é manter a maturidade institucional, preservando as pontes construídas e exercitando a capacidade de discordar sem destruir — porque o futuro não será construído pela ausência de divergências, mas pela forma como convivemos com elas.

Eventos unem pessoas. O turismo conecta territórios e sentimentos. Nós, que promovemos encontros, precisamos dar o exemplo de convivência respeitosa e reconhecimento ao trabalho realizado, independentemente de ciclos políticos.

Porque, no fim, quando as urnas se fecham, o setor continua. A vida segue — melhor ou marcada por incômodos e rupturas que o período eleitoral deixa pelo caminho.
E serão as pontes preservadas que permitirão que ele avance, conectando pessoas, nosso caminho e o futuro que, de forma justa e inteligente, merecemos.

Tatiana Marques, organizadora de eventos, conselheira titular de ética da Associação Brasileira de Empresas de Eventos - ABEOC

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